Tamanho do texto

Procuradores querem pena 'em patamar próximo ou equivalente ao máximo' possível para Paulo Preto por atos que desviaram R$ 7 milhões da Dersa

Delatores acusam ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza de ter cobrado propina por contrato do Rodoanel
Geraldo Magela/Agência Senado - 29.8.12
Delatores acusam ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza de ter cobrado propina por contrato do Rodoanel

A força-tarefa de procuradores que atuam na Operação Lava Jato em São Paulo pediu à Justiça mais de 80 anos de prisão ao ex-diretor da Dersa (estatal paulista de infraestrutura rodoviária) Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto .

O pedido de condenação feito pela Lava Jato consta das alegações finais da acusação a respeito de ação que trata de desvios de mais de R$ 7 milhões que deveriam ser aplicados na indenização de moradores impactados pelas obras do entorno do trecho sul do Rodoanel e da ampliação da avenida Jacu Pêssego.

No documento, o MPF argumenta que Paulo Preto  deve receber pena “em patamar próximo ou equivalente ao máximo” por seus crimes. O ex-diretor da Dersa é apontado pela força-tarefa de procuradores como líder do esquema e acusado pelos crimes de peculato (desvio de recursos públicos), inserção de dados falsos em sistema de informação e formação de quadrilha.

Além do ex-diretor da Dersa , o MPF pediu também condenação para José Geraldo Casas Vilela, ex-chefe do departamento de assentamento da estatal, e da psicanalista Tatiana Arana de Souza Cremonini, filha de Paulo Preto, por um dos fatos criminosos apontados na denúncia.

Leia também: Suíça detalha aportes "numerosos" em contas de suposto operador do PSDB em SP

Os procuradores apontam três supostos fatos criminosos envolvendo políticas da Dersa. O primeiro evento se deu entre 2009 e 2011 e trata da inclusão de seis empregadas da família de Paulo e de sua filha Tatiana no programa de reassentamento do trecho sul do Rodoanel Mário Covas. Entre as beneficiadas estão três babás da família, duas domésticas e uma funcionária da empresa do genro de Paulo. Segundo o MPF, essas funcionárias receberam apartamentos da CDHU no valor de R$ 62 mil na época.

O segundo fato narrado na denúncia trata dos desvios de apartamentos e indenizações, nos anos de 2009 e 2010, para parentes e pessoas ligadas à ex-funcionária da Dersa, o que resultou no pagamento de indenizações no total de R$ 955 mil, em valores sem juros e correção.

O terceiro e último fato envolve Souza, Vilela e a ex-funcionária que decidiu colaborar com a Justiça. Foram 1.773 pagamentos indevidos de indenizações irregulares para falsos desalojados pelo prolongamento da avenida Jacu Pêssego, que foram cadastrados como se fossem moradores das áreas Vila Iracema, Jardim São Francisco e Jardim Oratório, causando um prejuízo de R$ 6,3 milhões em valores da época.

Leia também: Nove perguntas e respostas para entender a condenação de Lula no caso do sítio

As alegações finais da força-tarefa da Lava Jato em SP foram entregues à juíza federal titular da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Maria Isabel do Prado, que abriu prazo para as defesas apresentarem seus memoriais.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.