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Voto aberto de tucanos foi estopim para Renan abandonar candidatura e abrir caminho para vitória de Alcolumbre; emedebista rechaça judicialização

Senador Renan Calheiros (MDB-AL) concede entrevista após retirar a candidatura para Presidência do Senado.
Jonas Pereira/Agência Senado - 2.2.19
Senador Renan Calheiros (MDB-AL) concede entrevista após retirar a candidatura para Presidência do Senado.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) deixou o plenário do Senado neste sábado (2) em meio à votação que definiu Davi Alcolumbre (DEM-AP)  como novo presidente da Casa. O emedebista buscava seu quinto mandato no comando da mesa diretora, mas desistiu de sua candidatura após senadores declararem seus votos no plenário a despeito de decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que definiu voto secreto.

A gota d'água para a desistência de Renan Calheiros foi o anúncio de que a bancada do PSDB, segunda maior do Senado, com oito parlamentares, votaria em peso em Alcolumbre. Renan alimentava a esperança de, com a adoção do voto secreto, conquistar votos de parte dos tucanos.

"Onde é que nós estamos? O PSDB anunciou agora que estava abrindo o voto para retirar, contra decisão do Supremo, qualquer possibilidade de termos os votos de José Serra e de Mara Gabrilli", reclamou Renan, que alegou ter havido "pressão" irregular ao PSDB para que o partido decidisse abrir o voto.

O senador acrescentou também crítica ao filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (PSL). "O Flávio Bolsonaro , diferentemente do que fez na votação anterior, abriu o voto, abriu o voto!", lamentou.

Iniciando seu primeiro mandato como senador, Flávio não usou o microfone para declarar seu voto na primeira tentativa deste sábado – que foi anulada após a descoberta de que foram depositadas 82 cédulas de votação, quando só há 81 parlamentares no Senado. Pressionado por apoiadores nas redes sociais, o filho do presidente mudou a postura na segunda oportunidade e declarou voto em Davi Alcolumbre.

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Renan foi vaiado ao reclamar que o processo "não era democrático". "Quero dizer que Davi [Alcolumbre] não é Davi. É Golias, e ele é o novo presidente do Senado, pois eu retiro minha candidatura. Não vou me submeter a isso", bradou, no plenário.

Questionado sobre a possibilidade de recorrer ao Poder Judiciário para contestar o rito de votação no Senado, Renan negou que faria isso. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o senador também despistou sobre como será sua relação futura com o governo Jair Bolsonaro após ser preterido pelo filho do presidente e ter visto Davi Alcolumbre vencer com as bênçãos do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Em seu discurso após ser eleito , Alcolumbre acenou aos adversários e lembrou Renan Calheiros . "O senhor terá o mesmo tratamento que todos os partidos devem ter", garantiu o novo presidente do Senado.