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Enquanto versão brasileira do "El País" divulga uma imagem ruim do discurso do presidente no Fórum Econômico Mundial, sua versão espanhola diz que os investidores estão animados com "o novo Brasil" nesta terça-feira

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi o primeiro chefe de Estado da América Latina a discursar na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Muito esperada, a fala durou aproximadamente 15 minutos e trouxe aos olhos do mundo "o novo Brasil".

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Palavras do Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante Sessão Plenária do Fórum Econômico Mundial
Alan Santos/PR - 22.1.19
Palavras do Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante Sessão Plenária do Fórum Econômico Mundial

Eleito como representante de milhões de brasileiros, o discurso de Bolsonaro tinha a missão de apresentar e convidar os investidores para se reaproximarem do País. "Pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe de ministros qualificados. Honrando o compromisso de campanha, não aceitando ingerências político-partidárias que, no passado, apenas geraram ineficiência do Estado e corrupção", disse o Presidente.

A messagem do Capitão da reserva do Exército Brasileiro, que obteve mais de 57 milhões de votos, foi clara. Mas parece que nem todos entenderam, ou não quiseram entender. Minutos após o discurso, um dos maiores jornais do mundo caiu em contradição, aparentemente ideológica.

A versão brasileira do "El País" trazia a seguinte manchete: "O breve discurso de Bolsonaro decepciona em Davos". Porém o mesmo texto que foi assinado pela mesma repórter tinha a seguinte chamada no noticiário espanhol: "Bolsonaro incentiva executivos da Davos a investirem no novo Brasil".

Leia também: Bolsonaro fala em "mostrar novo Brasil" em seu primeiro discurso internacional

Jornal
Divulgação
Jornal "El País" dá duas abordagens diferentes para o discurso de Bolsonaro em Davos
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Divulgação
Jornal "El País" dá duas abordagens diferentes para o discurso de Bolsonaro em Davos

A abordagem em português mostra claramente quem tenta tumultuar de forma maldosa um momento de renovação pelo qual o Brasil passa. O texto em português ainda revira o discurso e faz questionamentos facilmente derrubados pela própria fala de Bolsonaro ao questionar qual seria o motivo de uma fala tão breve.

Porém, o " El País " se esqueceu que os ministros Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) e Paulo Guedes (Economia) foram destacados para integrar a comitiva brasileira em Davos justamente para aprofundar os temas levantados pelo presidente. Mais um sinal da importância da escolha de ministros com "perfil técnico", como o próprio presidente costuma destacar.

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As diferentes abordagens do "El País" foi assunto até mesmo no café da manhã da equipe do presidente. De acordo com o jornal Estado de São Paulo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente, teria dado atenção especial à cobertura em espanhol e se mostrou surpreendido com o título em português.

O título espanhol, por outro lado, mostra a boa receptividade que um novo governo deve ter e afasta um viés político-ideológico que tenta conturbar o cenário de otimismo que os eleitores brasileiros vivem neste começo de ano.

A população brasileira precisa saber escolher bem qual tipo de noticiário está disposta a comprar. O que ataca Bolsonaro com menos de um mês de governo ou o que apresenta os fatos de acordo com a realidade. A capacidade de transmitir a informação sem deixar que as ideologias escorram pelo texto é o que diferencia o bom e o mau jornalismo.

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