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Vice-presidente é o primeiro a assumir o cargo na ausência do titular nos últimos três anos, já que Temer não escolheu vice quando assumiu o governo

Com viajem de Jair Bolsonaro à Suíça, vice-presidente, general Hamilton Mourão, assume a presidência da República, até o final da semana
Marcelo Casal Jr/Agencia Brasil
Com viajem de Jair Bolsonaro à Suíça, vice-presidente, general Hamilton Mourão, assume a presidência da República, até o final da semana

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), assumirá a Presidência pela primeira vez desde que tomou posse em 1º de janeiro e, portanto, apenas 20 dias depois da cerimônia. A mudança se deve à primeira viagem internacional do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que deve chegar à Zurique, na Suíça, nesta segunda-feira (21) por volta das 17h30 e, na sequência, se deslocar mais 116 quilômetros para chegar à Davos, onde ocorrerá o Fórum Econômico Mundial.

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O presidente titular deve retornar ao Brasil na madrugada de sexta-feira (25). Até lá, Mourão será o presidente em exercício. Ele também está "desfalcado" do ministro da Economia, Paulo Guedes, do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, que também viajaram para o Fórum Econônimo de Davos junto a Bolsonaro.

Dessa forma, um vice-presidente voltará a comandar o Brasil desde 21 de abril de 2016, quando Michel Temer (MDB) ainda se encontrava na condição de vice de Dilma e assumiu o governo na ausência da titular que viajou para Nova Iorque para assinar o Tratado de Paris sobre Mudanças do Clima. De lá para cá já se passaram dois anos e noves meses.

O longo período não é comum na história da república brasileira porque os presidentes costumam viajar para fora do País com uma frequência maior. Porém, com o afastamento temporário e sucessido impeachmente de Dilma, a partir de 12 de maio de 2016, Temer foi empossado presidente e a cadeira de vice ficou vaga.

Dessa forma, nas ausências de Temer, quem assumia o governo federal, segundo consta na Constituição, era o presidente da Câmara, no caso, Rodrigo Maia (DEM). Durante o período eleitoral, no entanto, como a Constituição impede que candidatos assumam cargos executivos, quando Temer viajava, Maia e, consequentemente, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB), também precisavam se ausentar do Brasil, já que ambos concorreram à reeleição nas eleições 2018. Com isso, foi a ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, quem assumiu o comando do Planalto várias vezes.

Na manhã desta segunda-feira, Mourão publicou uma mensagem através de sua conta oficial no Twitter, na qual se diz honrado em assumir a Presidência da República, deseja boa viagem ao presidente Jair Bolsonaro e ao restante da comitiva e garante que manterá a posição do governo enquanto estiver no exercício da função. 

Já o próprio presidente Jair Bolsonaro, também utilizou-se de sua conta oficial no Twitter para publicar uma mensagem momentos antes de embarcar para a viagem internacional. Nela, Bolsonaro destaca este como "um grande momento paa o Brasil".

No evento, Bolsonaro terá a oportunidade de se tornar o primeiro presidente de um país da América Latina a discursar na abertua do evento. O presidente brasileiro deve aproveitar a oportunidade para demonstrar preocupação com o agravamento da crise política, social, econômica e humanitária na Venezuela, apresentar seu ponto de vista sobre globalização, tecnologia e inovação, além de demonstrar que o governo federal está aberto aos investimentos de capital estrangeiro no País.

A fala de Bolsonaro é aguardada com expectativa, já que o presidente brasileiro é o líder mundial mais novo a participar do Fórum e representa uma grande mudança em relação aos últimos presidentes brasileiros que participaram do evento em Davos, como Luis Inácio Lula da Silva (PT), Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB).

Além de Bolsonaro, no entanto, Paulo Guedes também deverá ter participação importante no Fórum Econômico Mundial de Davos , já que o ministro da Economia é a palavra-final do governo em assuntos econômicos e o próprio presidente Jair Bolsonaro já declarou que "não entende nada de economia" nas várias ocasiões em que classificou Paulo Guedes como "posto Ipiranga" em alusão ao comercial de TV popular.

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Já Sérgio Moro também deverá ter a oportunidade de participar de dois painés no evento, nos quais deverá usar o espaço para destacar a importância do combate à corrupção para estimular o ambiente de negócios no Brasil. O ministro da Justiça e da Segurança Pública será apresentado pelo presidente Bolsonaro como o auxiliar responsável por desenvolver políticas públicas para o combate à corrupção.

A ideia de Sérgio Moro é ressaltar a necessidade de respeito à legislação em vigor e destacar que uma economia com regras claras gera resultados lucrativos. "A corrupção mina não só a confiança nos governos, mas também no mercado", diz o discurso preparado por Moro para o evento.

Há também a previsão de que Bolsonaro se reuna com os presidentes do Peru, Martín Vizcarra; do Equador, Lenín Moreno; da Colômbia, Iván Duque; e da Costa Rica, Carlos Alvarado Quesada. Com eles, devem ser tratadas as crises na Venezuela e na Nicarágua, além dos impactos na região, como a questão migratória.

Já aqui no Brasil, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, deverá se reunir com o empresário Miguel Angelo da Gama Bentes, na manhã desta segunda-feira (21), para discutir projetos na área de mineração estratégica. À tarde, Mourão tem encontros com os embaixadores da Alemanha, Georg Witschel, e Tailândia, Susarak Suparat. Reuniões que fará sem o chanceler brasileiro que, como dito, também se encontra em viagem à Europa.

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Em seguida, Mourão se reúne com o coronel Hélcio Bruno de Almeida cujo currículo o descreve como especialista em defesa e segurança com atenção no combate ao terrorismo. Depois, ele se encontra com dois outros generais para debater temas de defesa nacional.

*Com informações da Agência Brasil