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Ex-assessor de Flávio Bolsonaro fez transações bancárias suspeitas e ainda não prestou depoimento ao Ministério Público; ministro Luiz Fux ordenou suspensão da investigação até que o judiciário retorne do recesso

Caso Queiroz: ex-assessor de Flávio Bolsonaro ainda não explicou movimentações bancárias apontadas pelo Coaf
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Caso Queiroz: ex-assessor de Flávio Bolsonaro ainda não explicou movimentações bancárias apontadas pelo Coaf


O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, decidiu nesta quinta-feira que as investigações a respeito de movimentações bancárias suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, devem ser suspensas até que o judiciário retorne do recesso.  O chamado caso Queiroz tomou conta do último noticiário e é visto como o primeiro escândalo, ainda que de forma amena, envolvendo a família Bolsonaro desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência.

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O caso Queiroz nasceu graças a uma investigação iniciada com a Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, que analisa a ação de deputados estaduais da Assembleia Legislativa (Alerj) em contratos.

Segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras ( Coaf ), órgão responsável por identificar movimentações financeiras, Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar de Flávio Nantes Bolsonaro (PSL), recebia sistematicamente transferências bancárias e depósitos feitos por oito funcionários que trabalharam ou ainda trabalham no gabinete do deputado na Alerj. Os valores suspeitos giram em torno de R$ 1,2 milhão. O Ministério Público quer esclarecer essas movimentações.

Entre as movimentações financeiras atípicas registradas pelo Coaf, há também a compensação de um cheque de R$ 24 mil pago à primeira-dama, Michelle Bolsonaro, além de saques fracionados em espécie no mesmo valor dos depósitos suspeitos feitos nas respectivas vésperas.

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Em entrevista, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o cheque é parte do pagamento de uma dívida de R$ 40 mil e que era possível até que mais depósitos surgissem.

Para esclarecimentos do caso Queiroz, duas vezes Fabrício Queiroz foi convidado a depor no Ministério Público e, em ambas, faltou alegando problemas de saúde. O ex-assessor luta contra um câncer no intestino. Em entrevista ao SBT divulgada dois dias depois da segunda data marcada para depoimentos, que o valor em dinheiro que movimentou em suas contas é fruto da compra e venda de veículos usados e que ele é um "homem de negócios".

O ex-assessor parlamentar não explicou, porém, porque recebeu tantos depósitos de outros assessores e ex-funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro em sua conta e nem a origem do dinheiro. Limitou-se a dizer que vai esclarecer o assunto ao Ministério Público.

Umas das movimentações suspeitas é justamente de Nathalia Melo, filha de Fabrício Queiroz e funcionária do gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, em Brasília. Lá, ela mudou de cargo duas vezes, e nos últimos meses como secretária recebeu um salário bruto de R$ 10.088,42.

Apesar de ter sido contratada em dezembro de 2016 com regime de 40 horas semanais, clientes que contratavam a educadora física certificada em eletroestimulação como personal trainer relataram que ela prestava atendimento rotineiramente em dias úteis e horário comercial, no Rio de Janeiro. O registro de frequência dos secretários, por sua vez, é feito pelos próprios gabinetes dos deputados, como Bolsonaro era à época, e encaminhado à Câmara que só realiza os pagamentos sem mais perguntas.

Antes mesmo disso, ainda em 2007, aos 18 anos, Nathalia começou a atuar na vice-liderança do PP, então sigla de Flávio Bolsonaro, onde ficou até fevereiro de 2011. Já de agosto do mesmo ano até dezembro de 2016, ela esteve lotada no gabinete do deputado estadual e agora senador eleito Flávio Bolsonaro.

Sabe-se, porém, que quando ainda era servidora da Alerj, entre 2011 e 2012, Nathalia também trabalhava como recepcionista numa academia que fica em um shopping no Rio de Janeiro e foi contratada para participar de eventos de fitness também em horário comercial de dias úteis.

No relatório do Coaf, o nome de Nathalia está associado a uma transferência de R$ 84 mil para a conta do pai dela, Fabrício Queiroz, ao longo de 13 meses, incluindo o período em que ela já era assessora no gabinete de Jair Bolsonaro.

Em meio à polêmica, o próprio Flávio Bolsonaro e os familiares de Queiroz, entre eles sua esposa, Marcia Aguiar Queiroz, e suas duas filhas, Evelyn Queiroz e a própria Nathalia Queiroz, também foram convidados pelo Ministério Público a prestarem depoimento, mas não compareceram.

Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que foi notificado apenas na segunda-feira, 7 de janeiro, da data marcada para o depoimento em 10 de janeiro, apesar do Ministério Público ter dito que enviou o convite no dia 21 de dezembro. O senador eleito, porém, declarou que tem todo o interesse em esclarecer o caso, ressaltou que não é investigado por qualquer crime e afirmou que se pronunciaria apenas depois que tivesse acesso aos autos "no intuito de melhor ajudar a esclarecer os fatos".

Já a família Queiroz informou, em petição, que o patriarca estava internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, para tratamento de um câncer intestinal e que suas filhas e sua esposa não poderiam comparecer ao depoimento, já que acompanhavam o tratamento.

No mesmo dia, o advogado de Queiroz divulgou uma foto comunicando que o cliente estava recebendo alta do hospital após ter realizado uma cirurgia para remoção de tumor maligno no intestino no dia 1º de janeiro.

Um dia depois da data, porém, um vídeo gravado por uma de suas filhas foi divulgado e aumentou a polêmica no caso Queiroz. Nele, o ex-motorista de Flávio Bolsonaro aparece dançando com o suporte de soro que carregava no momento. Ele aparece ao lado de sua esposa e de sua filha, dando risadas e se divertindo no que depois esclareceu ser a comemoração do réveillon, portanto, na véspera da cirurgia.


No dia seguinte ao vazamento, Fabrício Queiroz divulgou outro vídeo no qual explica o primeiro vídeo e declara ter sido "cinco segundos que eu quis dar de alegria a uma tristeza que se tomava conta dentro da enfermaria”.

O caso Queiroz reacendeu na última segunda-feira (14), com o procurador-geral do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, afirmando que poderia fazer a denúncia mesmo sem ouvir os envolvidos, baseado apenas em “provas documentais convincentes”. Diante da declaração, Flávio Bolsonaro entrou com pedido no STF para suspensão da investigação e recebeu a decisão favorável de Luiz Fux.

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