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Pesquisa feita em dezembro pelo Instituto de Pesquisa IDEIA Big Data aponta que apenas 8% têm interesse em adquirir algum armamento

Na terça-feira (15), Bolsonaro assinou um decreto que flexibiliza a posse de armas
Pixabay/Creative Commons
Na terça-feira (15), Bolsonaro assinou um decreto que flexibiliza a posse de armas

Ao menos 70% dos brasileiros não pretendem comprar uma arma este ano. Segundo os dados da pesquisa “Perspectivas 2019”, do Instituto de Pesquisa IDEIA Big Data, apenas 8% afirmam que pretendem comprar algum armamento, os outros 22% não concordam, nem discordam da possibilidade de adquirir uma arma. O levantamento foi realizado em dezembro do ano passado, considerando a promessa de campanha sobre posse de armas proposto pelo então presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Segundo a pesquisa, entre os homens, o percentual dos que desejam ter uma arma sobe para 15%, já entre as mulheres, somente 3% demonstraram interessem em adquirir armamento. O Sul (75%) e o Sudeste (73%) são os que mais afirmaram que não pretendem comprar uma arma. Na terça-feira (15), Bolsonaro  assinou um decreto que flexibiliza a posse de armas .

De acordo com o estudo, a maior preocupação dos entrevistados, 37%, tem relação com a segurança pública - violência, assaltos, roubos e correlatos. O instituto ouviu 2.300 em 121 cidades de todas as regiões do país.

Também em dezembro, uma pesquisa do Instituto Datafolha revelou que 61% dos brasileiros querem que a posse de armamentos seja proibida no País. O levantamento ouviu 2.077 pessoas em 130 municípios em todas as regiões do país e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa mostra um aumento na rejeição da população brasileira às armas de fogo . No levantamento feito no último mês de outubro, 55% dos entrevistados se disseram contra a posse.

Nessa pesquisa, as mulheres também são as que mais rejeitam a posse de armamento. 71% delas quer a proibição, contra 51% dos homens. Entre os que ganham menos de dois salários mínimos, apenas 32% defendem a posse, contra 54% de quem ganha mais de dez salários. O sul é a região mais favorável às armas, com 47%, enquanto no nordeste 32% querem a posse liberada.

Em dezembro de 2003, a aprovação do  Estatuto do Desarmamento  pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) limitou a posse no País e tirou milhares de armas de fogo das ruas. Até o início de 2014, quase 650 mil armas haviam sido entregues pela população de forma voluntária.

Leia também: Sérgio Moro afirma que não há 'movimento' para flexibilizar porte de armas

A lei, contudo, não proíbe a posse de arma por completo. O cidadão que quiser ter uma arma de fogo precisa ser maior de 25 anos, ter um emprego lícito, comprovar capacidade técnica e psicológica para o uso desse tipo de equipamento e declarar que precisa da arma de fato. Esse último requisito foi alvo da flexibilização feita por Bolsonaro.

Atiradores desportivos, colecionadores e caçadores também têm a posse de armas garantida pela lei. A diferença é que, no caso dessas pessoas, o registro é realizado pelo Exército e segue critérios específicos para cada categoria. Os atiradores, por exemplo, precisam comprovar que fazem parte de clubes de tiro e participam de competições.

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