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Durante entrevista à Rádio Eldorado e ao jornal O Estado de S. Paulo, o novo secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o general João Camilo Pires de Campos, falou sobre os principais desafios da sua área


Com pouco mais de uma semana no cargo de secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o general João Camilo Pires de Campos sabe dos desafios que tem. Em entrevista à Rádio Eldorado e ao Estado nessa quarta-feira (9) ele falou sobre os principais temas.

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Novo secretário de Segurança de São Paulo João Camilo Pires de Campos
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Novo secretário de Segurança de São Paulo João Camilo Pires de Campos

Entre os tópicos discutidos da entrevista está o déficit de efetivo das Polícias, questão que o novo secretário classificou como "considerável", pontuando que atualmente na Polícia Militar, são mais de 11 mil cargos vagos e 8 mil na Polícia Civil. Segundo João Camilo Pires de Campos , a orientação do governador João Doria é para que a recomposição de pessoal seja realizada numa diagonal, observando os tetos orçamentários, mas realizando um grande esforço para a melhoria na segurança nas ruas.

"A segurança pública é um meio que deve proporcionar segurança à vida, à liberdade individual, ao patrimônio, à segurança das pessoas. A população precisa se sentir protegida. É o que nós vamos buscar e pretendemos com o apoio de todos, com uma ação muito efetiva, eficiente e eficaz", diz o General.

Outro assunto abordado na entrevista foi o aumento de salário para Policiais, discussão que há tempos vem gerando uma série de polêmicas. Sobre o tema, o secretário de Segurança Pública afirmou fazer parte do objetivo de sua gestão.

"No meu entendimento, a solução da segurança pública passa por um triângulo equilátero, onde em um dos vértices trabalhamos a tecnologia - não se faz segurança pública sem tecnologia -, em outra ponta há a gestão, particularmente a inteligência, e no outro vértice há a valorização do pessoal, onde está também a recomposição salarial”, disse o general.

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Sobre um dos tópicos mais fervorosos desde a campanha do presidente Jair Bolsonaro, a intenção de facilitar a posse de arma de fogo, o secretário de Segurança não apresentou críticas, nem tão pouco apoiou abertamente. “Sinceramente, não vejo como gravoso a posse da arma para o cidadão de bem, aquele cidadão que tem condições técnicas e psicológicas e pode manter sua arma segura”, afirmou.

Diante da onda de violência que assola o Estado do Ceará, o novo secretário de Segurança afirmou que sempre irá atuar com rigor perante organizações criminosas. Campos citou como exemplo sua atuação nas ocupações das comunidades do Rio de Janeiro, no Complexo da Maré e no Haiti e afirmou que planeja realizar operações conjuntas envolvendo a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.

O General falou sobre uma possível transferência de Marcola (líder do PCC): "Essa é uma solução de governo e depende de uma decisão judicial(...). Terá uma solução, mas não posso adiantar." 

Questionado sobre as promessas do governador João Doria, o general João Camilo Pires de Campos foi categórico: "Serão cumpridas. O Batalhão de Ações Especiais têm treinamento tipo Rota, que é a grande reserva que temos e pode ser deslocada para onde for. O Baep vai ser algo que vamos colocar nos vários comandos de policiamento do interior, da capital, como elementos de emprego imediato. Isso vai ocorrer”, disse.

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Por fim, o último tema abordado sobre os principais objetivos da nova gestão, foi a letalidade em ações Policiais. O secretário de Segurança apresentou o índice do ano passado de janeiro a novembro na Polícia Militar, que foi de 585 mortes decorrentes de ações Policiais, realizando um comparativo do número de mortes com a população do Estado de São Paulo (45 milhões). "A letalidade ideal para mim é zero, mas o Policial tem de se proteger", concluiu o novo secretário João Camilo Pires de Campos .