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Ex-ministro negocia um novo acordo de delação premiada em investigações da Operação Greenfield; fraudes podem somar o valor total de R$ 8 bilhões

Ex-ministro Antonio Palocci negocia uma nova delação premiada em investigação sobre desvios em fundo de pensão
Reprodução
Ex-ministro Antonio Palocci negocia uma nova delação premiada em investigação sobre desvios em fundo de pensão

O ex-ministro Antonio Palocci vai prestar depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), em Brasília, na próxima semana, no âmbito das investigações da Operação Greenfield, que apura supostos desvios em fundos de pensão.

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Os depoimentos foram marcados para os dias 7,8 e 9 de janeiro e serão conduzidos pelo procurador Frederico Siqueira Ferreira, um dos integrantes da força-tarefa criada para investigar os supostos desvios. A defesa de Palocci e a procuradoria estão em tratativas para um novo acordo de delação.

A expectativa dos investigadores é que Palocci, que assinou acordo de delação na Operação Lava Jato, possa trazer informações sobre os supostos desvios nos fundos de pensão de servidores de estatais, como a Funcef (Caixa Econômica Federal), Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios). Segundo as investigações, as fraudes podem somar mais de R$ 8 bilhões.

Em uma das denúncias sobre o suposto esquema de corrupção que já foram apresentadas à Justiça Federal, 14 investigados se tornaram réus, incluindo o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

De acordo com o MPF, o grupo foi responsável por um prejuízo de R$ 402 milhões ao Funcef, em valores atualizados até 2015, contribuindo para o déficit acumulado de R$ 18 bilhões registrado pelo fundo no final de 2016. Segundo a denúncia, R$ 5,9 milhões do esquema foram direcionados ao PT.

Em função dos benefícios do acordo de delação, Palocci deixou a prisão no dia 29 de novembro do ano passado, depois de passar dois anos preso, e começou a cumprir prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica.

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Para fazer a oitiva de Palocci, o MPF pediu autorização à juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, substituta do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro .

Palocci já fez delação premiada

em depoimento prestado em abril deste ano à Polícia Federal, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sabia, desde 2007, do esquema de corrupção que acontecia dentro da Petrobras.

De acordo com o ex-ministro, Lula o convocou para reunião no Palácio da Alvorada em fevereiro de 2007 e se mostrou "bastante irritado" ao dizer que teve conhecimento de que os então diretores da Petrobras Renato Duque e Paulo Roberto Costa estavam "envolvidos em diversos crimes no âmbito das suas diretorias" – conforme transcrito na delação de Antonio Palocci .

Palocci relatou ao delegado Filipe Hille Pace que Lula o questionou sobre a veracidade daquela informação, o que foi confirmado pelo então deputado federal.  Palocci, então, teria dito que o próprio Lula era responsável pela nomeação dos diretores da Petrobras e o lembrou que tanto Duque quanto Costa "estavam agindo de acordo com parâmetros que já tinham sido definidos pelo próprio Partido dos Trabalhadores e pelo Partido Progressista".

O ex-ministro da Fazenda disse acreditar que Lula agiu daquela forma porque ele queria "saber qual a dimensão dos crimes" e também avaliar se Palocci "aceitaria sua versão de que não sabia das práticas ilícitas cometidas". Segundo o então deputado, essa prática era comumente empregada por Lula, que teria a "clara intenção" de "testar os interlocutores sobre seu grau de conhecimento e o impacto de sua negativa".

*Com informações da Agência Brasil

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