Bolsonaro transfere Coaf para as mãos de Moro no Ministério da Justiça

Conselho de Controle de Atividades Financeiras fazia parte do extinto Ministério da Fazenda, mas agora será controlado pela pasta do ex-juiz

Bolsonaro transferiu o Coaf, para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado por Moro
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil - 1.1.19
Bolsonaro transferiu o Coaf, para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado por Moro

Em uma de duas primeiras medidas provisórias como presidente da República, Jair Bolsonaro transferiu o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do extinto Ministério da Fazenda (hoje Ministério da Economia) para o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A medida provisória nº 870 trouxe a organização dos órgãos da Presidência da República e dos ministérios.

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Na MP, ficou definido que o presidente do Coaf será indicado pelo ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e nomeado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro .

O Coaf é responsável por ações de inteligência para prevenir a lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e o financiamento do terrorismo. O Coaf recebe, examina e identifica ocorrências suspeitas de atividade ilícita e comunica às autoridades competentes.

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Em outros decretos publicados hoje no Diário Oficial da União, Bolsonaro exonerou o atual presidente do Coaf, Antônio Carlos Ferreira de Sousa, e nomeou Roberto Leonel de Oliveira Lima para o cargo. Lima é auditor-fiscal da Receita Federal a atuava na força-tarefa da Operação Lava Jato.

Filho de Bolsonaro vai depor ao Coaf

Flávio Bolsonaro deve depor ao Coaf em janeiro
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Flávio Bolsonaro deve depor ao Coaf em janeiro

O senador eleito pelo Rio de Janeiro e filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PSL), deve prestar depoimento ao Ministério Público Estadual (MP-RJ) no dia 10 de janeiro, segundo informou o órgão nesta quinta-feira (27). A oitiva, caso se confirme, terá como foco movimentações financeiras suspeitas de seu ex-assessor  Fabrício Queiroz, identificadas em relatório do Coaf.

Em nota, o Ministério Público afirma que os advogados do ex-motorista de Flávio Bolsonaro apresentaram nesta tarde a testados que comprovam "grave enfermidade" de Fabrício Queiroz, que deverá ser submetido a "cirurgia urgente". "Os advogados informaram ainda que Queiroz estará à disposição para prestar depoimento tão logo tenha autorização médica", disse a promotoria.

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O MP afirma que outras diligências já anunciadas estão previstas para ocorrer, mas, no greal, o caso seguirá sob total sigilo. O nome do ex-motorista apareceu em relatório do  Coaf , que integrou a investigação da Operação Furna da Onça, desdobramento da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

Segundo as informações da investigação, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em uma conta bancária durante um ano, quando recebia salário de R$ 23 mil por mês. As transações foram consideradas atípicas e passaram a ser investigadas.

 Segundo o relatório, o ex-assessor repassou R$ 24 mil a Michelle Bolsonaro, futura primeira-dama. Jair Bolsonaro, presidente eleito, justificou que era a quitação de um empréstimo de R$ 40 mil feito por ele a Queiroz, que foi exonerado do gabinete de Flávio em outubro  deste ano. Além de motorista, o investigado também tinha vínculo com a Polícia Militar.

* Com informações da Agência Brasil