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No Congresso, presidente prometeu "trabalhar incansavelmente" para "construir país sem discriminação e divisão" e "livre de amarras ideológicas"

Jair Bolsonaro assinou termo de posse em sessão solene no Congresso Nacional
Marcos Brandão/Senado Federal - 1.1.19
Jair Bolsonaro assinou termo de posse em sessão solene no Congresso Nacional

Tomaram posse nesta terça-feira (1ª) o novo presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), e seu vice, o general Hamilton Mourão (PRTB). A cerimônia de posse foi realizada sob o  mais forte esquema de segurança já praticado em Brasília, que recebeu autoridades internacionais e milhares de apoiadores do vencedor das eleições presidenciais de 2018.

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Aos 63 anos de idade,  Jair Bolsonaro  prometeu que irá "proteger a democracia" e "construir uma sociedade sem discriminação e divisão". "Uma de minhas prioridades será proteger a democracia brasileira. A construção de uma nação mais justa e desenvolvida requer a ruptura de práticas nefastas", disse.

"Hoje, começamos um trabalho árduo para que o Brasil inicie um novo capítulo de sua história. Trabalharei incansavelmente para que o Brasil se encontre com o seu destino e se torne a grande nação que todos queremos", afirmou Bolsonaro na sessão solene realizada na Câmara dos Deputados. "Reafirmo o meu compromisso de construir uma sociedade sem discriminação ou divisão."

As primeiras declarações de Bolsonaro como presidente da República se deram momentos após ele e a nova primeira-dama, Michelle Bolsonaro, desfilarem em carro aberto no trajeto entre a Catedral Metropolitana de Brasília e o Congresso. O tradicional desfile no Rolls-Royce presidencial era dúvida até o momento da cerimônia devido aos fortes temores com a segurança do presidente eleito – intensificados pelo ataque a faca sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora (MG), em setembro.

O atentado também foi lembrado por Bolsonaro em seu discurso no Congresso , que foi iniciado às 15h20 da tarde e durou cerca de 10 minutos.

"Quero agradecer a Deus por estar vivo. Que, pelas mãos de profissionais da Santa Casa de Juiz de Fora, operaram um verdadeiro milagre", afirmou. "Quando os inimigos da pátria, da ordem e da liberdade tentaram por fim à minha vida, milhões de brasileiros foram às ruas. Uma campanha eleitoral tornou-se espontânea, forte e indestrutível e nos trouxe até aqui."

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Presidente eleito Jair Bolsonaro chega ao Congresso Nacional
Agência Brasil/Fabio Rodrigues
Presidente eleito Jair Bolsonaro chega ao Congresso Nacional

Bolsonaro prometeu fazer um governo que atue "de forma progressiva, responsável e consciente" e propôs um "pacto nacional" com deputados e senadores para levar seu projeto adiante.

"Com humildade, volto a esta Casa onde, por 28 anos, me empenhei em servir a nação brasileira. Volto a esta Casa não mais como deputado, mas como presidente da República Federativa do Brasil. Hoje, aqui estou fortalecido, emocionado e profundamente agradecido a Deus, nesse período de enormes desafios e, ao mesmo tempo, de enorme esperanças.
Convoco cada um dos congressistas para me ajudar na missão de restaurar e reeguer nossa pátria, libertando-a do julgo da corrupção, da criminalidade da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica", declarou.

"Temos uma oportunidade única de reconstruir nosso país. Estou certo de que enfrentaremos enormes desafios, [...] mas levaremos as futuras gerações a nos seguir nessa tarefa gloriosa", continuou.

"Realizaremos reformas estruturantes, que serão essenciais para a saúde financeira e sustentabilidade das contas públicas, transformando o cenário econômico e abrindo novas oportunidades.Precisamos criar um círculo virtuoso para a economia que traga a confiança necessária para permitir abrir nossos mercados para o comércio internacional, estimulando a competição, a produtividade e a eficácia, sem o viés ideológico. Esses desafios só serão resolvidos mediante um verdadeiro pacto nacional entre a sociedade e os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, na busca de novos caminhos para um novo Brasil."

O novo presidente voltou a repetir alguns dos mantras de sua campanha e garantiu que o Brasil "voltará a ser um país livre das amarras ideológicas". Ainda nesse ponto, Bolsonaro defendeu que as escolas e universidades preparem os jovens "para o mercado do trabalho, e não para a militância política". "Vamos respeitar as religiões e nossa tradição judaico-cristã. Combater a ideologia de gênero, conservando os nossos valores."

Ainda em seu apelo aos congressistas, Bolsonaro mencionou sua proposta de liberar a posse de armas para a população e cobrou "respaldo" do Poder Legislativo para a atuação de policiais e de militares das Forças Armadas.

"O cidadão de bem merece dispor de meios para se defender. Vamos honrar e valorizar aqueles que sacrificam suas vidas em nome da nossa segurança. Contamos com o apoio do Congresso Nacional para os policiais realizarem o seu trabalho."

O capitão da reserva do Exército voltou ainda a citar sua equipe de 22 ministros para reafirmar que não pretende seguir a política do 'toma lá, dá cá'. "Montamos nossa equipe de forma técnica, sem o tradicional viés político que tornou o Estado ineficiente e corrupto."

Após o discurso na posse de Bolsonaro , o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB) disse que o novo presidente herda um país melhor graças à gestão de Michel Temer (MDB), que assumiu o governo federal após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2016.

"Foi em cooperação republicana com a Câmara dos Deputados e com o Senado, que o governo aprovou a PEC do Teto de gastos, que está sendo uma importante ferramenta para o equilíbrio das contas públicas no Brasil.Tenho certeza que Vossa Excelência [Bolsonaro] estará recebendo um país com ajustes promovidos por esta Casa. Não houve pauta-bomba e nem deixou-se nenhuma herança maldita", disse Eunício.

O presidente do Senado também fez um apelo para que Bolsonaro tome ações que concretizem seu discurso. "Seja, Vossa Excelência, o melhor exemplo de conduta. O discurso empolga, mas o exemplo arrasta", fraseou.

Após o rito no Congresso, Bolsonaro seguiu para o Palácio do Planalto, onde foi executado o Hino Nacional e realizadas a revista às tropas, a salva de 21 tiros e apresentação da Esquadrilha da Fumaça. No Planalto, ele sobiu a rampa e recebeu a faixa presidencial de Michel Temer.

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