Tamanho do texto

Wherles Fernandes da Rocha Rocha alega quebra de decoro parlamentar por parte do senador, que foi alvo de uma segunda operação da Polícia Federal

Aécio Neves (PSDB) foi eleito para o cargo de deputado federal e manterá foro privilegiado
Lula Marques/Agência PT - 30.8.16
Aécio Neves (PSDB) foi eleito para o cargo de deputado federal e manterá foro privilegiado

O deputado Wherles Fernandes da Rocha (PSDB-AC) entrou com uma representação no partido pedindo a expulsão do senador e deputado eleito Aécio Neves (MG). O pedido endereçado ao presidente do PSDB, Geraldo Alckmin, foi protocolado nesta quinta-feira (20) na Executiva Nacional da sigla e deverá seguir para o Conselho de Ética.

No pedido, Rocha alega quebra de decoro parlamentar por parte do senador. Mais cedo, Aécio Neves foi alvo da segunda fase da Operação Ross , da Polícia Federal, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados à família do tucano.

De acordo com as informações do jornal Estado de S.Paulo, o documento foi redigido antes mesmo da operação deflagrada nesta quinta. “Nós temos de preservar o PSDB , que está pagando uma conta muito alta por causa do desgaste do Aécio”, disse Rocha ao Estado. “Queremos que o partido se posicione: ou Aécio sai ou vamos ter uma debandada no PSDB. Mas achamos que quem tem de sair é ele, e não nós.”

Segundo a própria PF , a operação desta quinta-feira teve como objetivo apurar o recebimento de vantagens indevidas por parte do tucano, “solicitadas a um grande grupo empresarial do ramo frigorífico, entre os anos de 2014 e 2017”.

Leia também: Aécio recebeu propina da JBS escondida em caixas de sabão em pó, diz empresário

Um dos mandados foi cumprido na casa da mãe de Aécio, Inês Maria Neves da Cunha. Outros dois foram cumpridos na residência do primo do senador, Frederico Pacheco, e em uma empresa de comunicação, que seria de Pacheco e da irmã de Aécio , Andrea Neves.

Atualmente, Aécio cumpre os seus últimos dias como parlamentar do Senado Federal. Porém, em 2019, assumirá uma vaga da Câmara dos Deputados, ao qual foi eleito em outubro.

A operação de investiga o atual senador é um desdobramento da Patmos, deflagrada pela PF em maio de 2017. Os valores investigados, que teriam sido utilizados também para a obtenção de apoio político, ultrapassam R$ 100 milhões.

Aécio Neves nega todas as acusações e têm chamado os delatores de “criminosos confessos”. Em seu último discurso como senador, no último dia 12 , o tucano disse que estava vivendo dias “extremamente difíceis” e admitiu ter cometido um “erro” ao aceitar ajuda de Joesley Batista. Na sua versão, houve ali uma “história armada” para incriminá-lo. “Mas eu não perco a minha fé”, afirmou Aécio, em discurso na tribuna.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.