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Presidente fez balanço de seus dois anos e oito meses de governo e afirmou que só não aprovou reforma da Previdência porque foi vítima de uma trama

Presidente Michel Temer (MDB) fez balanço de seu governo de dois anos e oito meses em última reunião ministerial
Antonio Cruz/Agência Brasil
Presidente Michel Temer (MDB) fez balanço de seu governo de dois anos e oito meses em última reunião ministerial

O presidente da República, Michel Temer (MDB), afirmou nesta quarta-feira (19), durante a última reunião com sua equipe ministerial antes de deixar o governo, que "até vou sentir falta" dos gritos de "fora, Temer" que se popularizaram em diversas manifestações que pediram a sua saída do cargo. Em tom de brincadeira, o presidente disse que "agora, estaei fora mesmo, mas levou tempo, levou dois anos e oito meses".

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Na reunião de balanço do seu governo, Temer agradeceu ao trabalho de sua equipe ministerial e afirmou que, graças a ela, seu trablaho foi "adiante, amparado". O presidente, no entanto, preferiu não comentar os mandadtos de busca e apreensão executados pela Polícia Federal (PF) em oito endereços ligados ao ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD), a políticos do Rio Grande do Norte e empresários.

Ao mencionar o ministério comandado por Kassab , Temer destacou que a área científica não é fácil e elogiou o ex-prefeito de São Paulo afirmando que houve uma pacificação das áreas em decorrência de sua “habilidade extraordinária”. Presente na reunião em Brasília, Kassab deixou o Palácio do Planalto sem falar com os jornalistas que não tiveram acesso ao local da reunião.

Mais cedo, por meio de nota, Kassab disse confiar na Justiça e mostrou-se disposto a prestar esclarecimentos. Também afirmou que “"confia na Justiça brasileira, no Ministério Público e na imprensa" e "sabe que as pessoas que estão na vida pública estão corretamente sujeitas à especial atenção do Judiciário".

Além disso, o comunicado oficial divulgado pela assessoria de imprensa de Kassab "reforça que [ele] está sempre à disposição para quaisquer esclarecimento que se façam necessários, ressalta que todos os seus atos seguiram a legislação e foram pautados pelo interesse público".

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Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
"Não há nada que me comprometa", disse Kassab após ação da PF em seu apartamento

As investigações se sustentam em informações transmitidas durante delações premiadas de executivos da J&F. O objetivo é apurar suposto recebimento de vantagens indevidas por parte de Kassab enquanto era prefeito de São Paulo, no período de 2010 a 2016.

Nesta quarta-feira, o próprio Temer, por sua vez, também mencionou delações da J&F. No caso dele, porém, foi o depoimento de Joesley Batista que foi criticado. Na ocasião, as revelações levaram à apresentação de duas denúncias contra Temer, que tiveram o andamento paralisado pela Câmara dos Deputados.

Joesley chegou a entregar a gravação de uma conversa dele com o presidente na qual eles discutiram, segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ).

No encontro com a sua equipe ministerial , Temer culpou o episódio pelo fato de a reforma da Previdência não ter sido aprovada no Congresso. O presidente disse ter sido vítima de “uma trama de tal natureza” cujos "detratores acabaram presos", "que entraram com gravadorzinho da feira do Paraguai". "Além do que, devo dizer que, naquela gravação, criou-se uma frase falsa", disse.

Em um trecho da conversa gravada, Joesley disse estar “de bem com o Eduardo”, ao que Temer respondeu: “Tem que manter isso, viu”. Para a PGR, a frase de Temer referia-se a uma suposta compra do silêncio de Cunha.

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Ao final do seu discurso na reunião com os ministros, Temer  ainda brincou e afirmou que iria “até mandar servir um café [aos ministros] para mostrar que o café está quente ainda”, em alusão a expresão "café frio" comum para se referir em fins de mandatos presidenciais. “Sem café também é demais”, disse.

*Com informações da Agência Brasil

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