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Advogado que representa ex-presidente alega que ex-ministro "tomou iniciativa de fazer afirmações sem qualquer relação com o processo" e baseou acusações em supostas conversas das quais ele é a única testemunha

Lula e o então ministro Antonio Palocci, em 2004; defesa de Lula acusa Palocci de mentir
Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 30.12.04
Lula e o então ministro Antonio Palocci, em 2004; defesa de Lula acusa Palocci de mentir

O advogado que representa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Cristiano Zanin Martins, disse que o  depoimento prestado nesta quinta-feira (6) pelo ex-ministro Antonio Palocci teve o "nítido objetivo de atacar a honra e a reputação" do petista. Em nota, a defesa de Lula afirmou que Palocci mentiu para "manter relevantes vantagens que obteve em sua delação".

"Palocci não é uma testemunha – que fala com isenção – mas alguém interessado em manter as relevantes vantagens que obteve em sua delação", reclamou a defesa de Lula . "O ex-ministro aproveitou de seu depoimento para, de forma inusual, tomar a iniciativa de fazer afirmações sem qualquer relação com o processo, com o nítido objetivo de atacar a honra e a reputação do ex-presidente Lula e de seu filho Luis Claudio."

O depoimento de Palocci foi  tomado no âmbito de ação penal da Operação Zelotes na qual Lula é acusado de cometer crime de corrupção passiva ao supostamente atuar em esquema que envolveu irregularidades na edição de medida provisória que beneficiou montadoras, em 2009.

Na audiência realizada na manhã desta quinta-feira, o ex-ministro disse que o ex-presidente aceitou fazer alterações no texto da MP que concedeu incentivos fiscais ao setor automotivo em troca do pagamento de ao menos R$ 2,5 milhões à empresa de seu filho mais velho.

"Me foi relatado pelo ex-presidente Lula que ele havia tido entendimentos [para o pagamento de propina] com o seu Mauro Marcondes", disse Palocci em seu depoimento, citando lobista acusado de representar os interesses das montadoras Caoa (Hyundai) e MMC Automotores (Mitsubishi do Brasil).

O advogado Cristiano Martins , que participou da audiência na sede da Justiça Federal em Brasília (Palocci falou por videoconferência, de São Paulo), constestou as acusações, destacando que Palocci narrou conversas que não poderiam ser desmentidas ou confirmadas por mais ninguém.

"O ex-ministro reconheceu que as supostas conversas que afirmou ter mantido com Lula e Luis Cláudio não tiveram a presença de qualquer outra pessoa, não havendo, portanto, qualquer testemunha sobre a efetiva ocorrência dos encontros e do teor do assunto discutido.
Palocci sabe que suas afirmações são mentirosas e que por isso não poderão ser confirmadas por qualquer testemunha. Por isso, mais uma vez, o ex-ministro recorre a narrativas que envolvem conversas isoladas com Lula, expediente que já havia recorrido em depoimento prestado perante a Justiça Federal de Curitiba", reclama o defensor.

Leia também: Assista ao depoimento de Antonio Palocci que ligou Lula a recebimento de propina

Apesar do argumento da defesa de Lula , Palocci chegou a afirmar em dada altura de seu depoimento que possui "testemunhas, registro de telefonemas [com Lula] e agendas" que, supostamente, confirmam suas versões.

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