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Comissão Interamericana de Direitos Humanos vê "situação de gravidade e urgência" e exige que governo proteja deputado, amigo da ex-vereadora Marielle Franco; órgão também cobra investigação de ameaças contra Jean

Jean Wyllys diz que ataques a ele visam
Divulgação/PSOL na Câmara
Jean Wyllys diz que ataques a ele visam "desprestigiar agenda política de defesa dos direitos humanos"

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão ligado à OEA, cobrou que o Estado brasileiro assegure proteção ao deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) e à sua família. Por meio de medida cautelar, a comissão cobra ainda que o governo investigue episódios de "ameaças e difamação" que "aumentam a situação de vulnerabilidade" do parlamentar, ao "torná-lo alvo do ódio de setores da sociedade".

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A exigência da CIDH atende a pedido apresentado pelo próprio deputado. Segundo a comissão, as provas apresentadas "“demostram que o senhor Jean Wyllys  se encontra em uma situação de gravidade e urgência, posto que seus direitos à vida e à integridade pessoal estão em grave risco”.

Em nota encaminhada à reportagem pela assessoria do parlamentar, Jean diz que o posicionamento da comissão "evidencia a falta de reposta eficaz por parte do Estado brasileiro", acusado pelo deputado de ter sido "negligente" ao não investigar ameaças e calúnias contra ele. O deputado também relembra a  falta de respostas quanto ao assassinato da vereadora Marielle Franco , sua antiga companheira de partido e amiga pessoal. 

"O Estado tem sido negligente em todas suas instâncias e não levou em conta a vulnerabilidade que vem de minha orientação sexual, alvo de estigma e preconceito, e da minha identificação e compromisso públicos com as lutas em favor da cidadania LGBT, num país onde mais se mata gays, lésbicas e travestis em crimes motivados por ódio”, afirmou.

A equipe do deputado do PSOL alega que Jean tem sido, desde seu primeiro mandato na Câmara, alvo de "gravíssimas calúnias, fake news e campanhas difamatórias". 

São citados como exemplos notícias falsas que atribuem ao parlamentar a autoria de projetos de lei inexistentes, declarações inventadas e toda sorte de falsificações, montagens e deturpação de informações. "Tentam associá-lo à pedofilia e colocá-lo como ameaça para as famílias e inimigo de parte da população, particularmente dos cristãos", afirma, em nota.

"A gravidade de algumas das mentiras usadas para atacar o deputado tem por objetivo não apenas a destruição de sua imagem pública, como também a invenção de falsas justificativas para espalhar ódio contra ele e sua família e promover atos de violência que possam atingi-lo", complementa.

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O deputado eleito pelo Rio de Janeiro diz considerar que essa alegada campanha difamatória visa "desprestigiar uma agenda política e legislativa de defesa dos direitos humanos, das liberdades individuais e da justiça social e destruir um dos seus principais representantes na política nacional".

Jean Wyllys diz que recebe "constantes ameaças de morte" há anos, o que teria se intensificado durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e depois do assassinato de Marielle. O parlamentar pediu escolta oficial e passou a andar em carro blindado após a morte da vereadora e de seu motorista, em março deste ano, no Rio de Janeiro.

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