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Em transmissão ao vivo na internet, Bolsonaro falou sobre os futuros ministros, educação, reforma da previdência e direitos trabalhistas

Presidente eleito, Jair Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo realizada em sua conta no Facebook
Reprodução
Presidente eleito, Jair Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo realizada em sua conta no Facebook

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) prometeu nesta sexta-feira (9) um intenso combate à corrupção durante seu governo com o juiz federal Sérgio Moro à frente do Ministério da Justiça . "Moro vai pegar vocês, corruptos. Antes ele pescava de varinha, agora vai ser com rede arrastão de 500 metros", afirmou durante uma transmissão ao vivo realizada em sua conta no Facebook.

Ele também disse que Moro terá carta branca para trabalhar e voltou a dizer que conversou com o juiz somente após o segundo turno. Além de Moro, Jair Bolsonaro destacou o perfil de cada um dos já confirmados: Paulo Guedes para Economia, Onyx Lorenzoni para Casa Civil, general da reserva Augusto Heleno para o Gabinete de Segurança Institucional e Tereza Cristina para Agricultura, além de Marcos Pontes para Ciência e Tecnologia.

O presidente eleito disse ter observado que “todos confiam” no economista Paulo Guedes, que comandará o superministério que vai reunir Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio. “Precisamos de uma equipe para salvar o Brasil.”

Também elogiou o general Heleno, descrito como “um conselheiro”. Para ele, o astronauta Marcos Pontes é uma referência por sua carreira e currículo. “Ele é perfeitamente ligado a este mundo.”

Bolsonaro disse ainda que a escolha da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) foi uma indicação da bancada ruralista. De acordo com ele, outros gostariam de ter sido indicados e alegaram que estão “há muito tempo” ao seu lado. “Se for assim, tenho de colocar minha mãe, então, que está comigo há 63 anos.”

O presidente eleito afirmou que sua prioridade na Agricultura será garantir segurança jurídica para os produtores rurais, de tal maneira que eles “não acordem” no dia seguinte com a terra demarcada para indígenas nem com a cobrança de multas indevidas.


Na transmissão, que durou cerca de 40 minutos, o presidente eleito abordou diversos assuntos. Confira os principais:

>> Educação

Bolsonaro aproveitou para afirmar que não permitirá a inclusão de determinadas questões no Exame Nacional do Ensino Médio ( Enem ). Ele  voltou a criticar questões abordadas na primeira etapa dos testes. Segundo Bolsonaro, o Enem deve tratar sobre “o que interessa”, citando geografia e história, por exemplo. De acordo com ele, o Brasil é um “país conservador” e seu objetivo, como presidente, é pacificar.

Na sua opinião, questões polêmicas geram brigas e divergências desnecessárias. “Nós não queremos isso.” Bolsonaro se referia à questão do caderno de linguagens que, no enunciado, mencionava o "pajubá, dialeto secreto de gays e travestis" como exemplo de patrimônio linguístico.

“ Queremos que a molecada aprenda algo que dê futuro. Quer ser feliz com outro homem ou outra mulher, tudo bem, mas não fica enchendo o saco no escola", afirmou.

O presidente eleito condenou as discussões sobre ideologia de gênero nas escolas. De acordo com Bolsonaro, a educação deve se preocupar em “ensinar”. “Que importância tem ideologia de gênero?”, reagiu. “Quem ensina sexo é papai e mamãe”, acrescentou o presidente eleito, olhando fixamente para a câmera.

Para Bolsonaro, parte das universidades não se preocupa com educação. Ele citou uma visita feita à Universidade de Brasília (UnB), quando se disse surpreso com o que viu. ”Era maconha”, descreveu. “Preservativo no chão e cachaça na geladeira.”

O presidente eleito também criticou as pichações que, segundo ele, são frequentes em universidades. Para Bolsonaro, a escolha do futuro ministro da Educação é um desafio. “Educação é complicado”, desabafou.

>> Exploração da Amazônia

Para Jair Bolsonaro, há abusos na cobrança de multas e também na demarcação de terras indígenas
Divulgação/Conservation ONG
Para Jair Bolsonaro, há abusos na cobrança de multas e também na demarcação de terras indígenas

Bolsonaro disse que ele vai escolher o nome para o Meio Ambiente : “Quem vai indicar é Jair Messias Bolsonaro”, disse o presidente eleito dirigindo-se às organizações não governamentais (ONGs). O presidente eleito reclamou das multas ambientais. Segundo ele, há informações, que ainda não confirmou, segundo as quais 40% do arrecadado em multas vão para as ONGs. “Não vai ter aquele ativismo”, avisou, sem entrar em detalhes.

Para Bolsonaro, há abusos na cobrança de multas e também na demarcação de terras indígenas. Ele disse ter sido vítima de uma denúncia infundada sobre pesca ilegal, em 2012, que o fez responder no Supremo Tribunal Federal (STF), embora tivesse comprovado que a acusação era improcedente.

De acordo com o presidente eleito, uma forma de incentivar a preservação ambiental é estimular o turismo. Ele também demonstrou interesse em permitir que empresas de alguns países explorem os recursos naturais da Amazônia. Ele questionou "por que não fazer acordo" para explorar a região "sem viés ideológico". 

"Se tivesse hotéis em áreas protegidas, o meio ambiente estaria preservado. O turismo preservaria o meio ambiente e não essa forma xiita do Ibama", afirmou. 

O futuro presidente também confirmou que retornará a Brasília na próxima semana, apesar do feriado, para continuar os trabalhos da equipe de transição. Ele prometeu que os nomes dos ministros da Educação, Saúde e Relações Exteriores serão anunciados nos próximos dias.

>> Reforma da Previdência

Jair Bolsonaro ressaltou que a Previdência do funcionalismo público é a mais deficitária e precisa ser revista
Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
Jair Bolsonaro ressaltou que a Previdência do funcionalismo público é a mais deficitária e precisa ser revista

Bolsonaro reclamou que querem colocar na conta dele decisões sobre a Previdência que não foram tomadas. “O que recebi em Brasília foram projetos”, destacou, afirmando que não fechou ainda nenhuma proposta de reforma.

Ele voltou a negar a ideia de aumentar de 11% para 22% a alíquota do INSS e também fixação mínima de 40 anos para concessão de aposentadoria integral. “O que estou vendo (sobre as propostas atuais) é que pouca coisa pode ser aproveitada", disse.

O presidente eleito ressaltou que a Previdência do funcionalismo público é a mais deficitária e precisa ser revista. Mais uma vez, ele disse que não quer ver o Brasil “transformado” em uma Grécia - onde os contribuintes tiveram que aumentar o pagamento do desconto linear para 30%, segundo Bolsonaro.

O capitão reformado apelou para a compreensão da sociedade sobre a necessidade de aprovar mudanças no sistema previdenciário. “Todos têm de entender que está difícil”, afirmou. “Não podemos falar em salvar o Brasil, quebrando o Brasil.”

Ele também lembrou que o reajuste do Judiciário não é responsabilidade dele, mas sim do governo Michel Temer. "Estão botando na minha conta o reajuste do Judiciário para eu começar o governo com problemas. Mas eu só dei a minha opinião. Achei inoportuno."

>> Direitos trabalhistas

Jair Bolsonaro disse que seu objetivo não é atingir os sindicatos nem os direitos trabalhistas
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Jair Bolsonaro disse que seu objetivo não é atingir os sindicatos nem os direitos trabalhistas

O presidente eleito também reagiu às críticas de determinados setores que afirmam que ele pretende extinguir os direitos trabalhistas e sindicais. Bolsonaro condenou o comportamento de alguns sindicalistas: “A vida de sindicalista é muito boa. É ficar lá, só engordando”.

Bolsonaro disse que seu objetivo não é atingir os sindicatos nem os direitos trabalhistas. “Eu quero é acabar com o desemprego”, afirmou. “O Brasil, o país dos direitos; só não tem emprego”, acrescentou. “Antes que falem besteira por aí", complementou.

O presidente eleito afirmou que não pretende mexer em determinados pontos em vigência no país. Não citou quais. Mas foi objetivo: “Não vou dar murro em ponta de faca”.

Em contrapartida, Bolsonaro disse que conta com apoio do mercado, que está confiante com sua eleição e o futuro governo, a partir das demonstrações que observa e vem recebendo. Ele disse ter admiração por aqueles que são patrões no Brasil, pois há uma série de dificuldades para empregar no país.

“Quem quer ser patrão no Brasil?”, perguntou Jair Bolsonaro . “Ninguém quer”, acrescentou o presidente eleito, informando que conversou com uma rádio brasileira nos Estados Unidos e foi transmitido para ele que no mercado de trabalho norte-americano se recebe apenas pelas horas trabalhadas.

* Com informações da Agência Brasil

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