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Em empate técnico, candidatos ao governo de São Paulo tentam "virar votos" na reta final da disputa; propostas cederam lugar a acusações entre políticos

Candidatos ao governo de São Paulo trocaram farpas no debate da Globo
Reprodução/TV Bandeirantes
Candidatos ao governo de São Paulo trocaram farpas no debate da Globo

Faltando três dias para o segundo turno das eleições de 2018, os candidatos ao governo de São Paulo Márcio França (PSB) e João Doria (PSDB) debatem pela última vez em um encontro organizado pela TV Globo. O debate da Globo teve quatro blocos, com a duração de uma hora e meia.

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Na pesquisa mais recente do instituto Datafolha, divulgada na noite desta quinta (25), Doria aparece em vantagem numérica, com 52% das intenções de voto. Com 48%, França se aproxima de seu opositor na véspera do  debate da Globo em São Paulo.

Durante o primeiro bloco, os dois candidatos fizeram perguntas com tema livre um para o outro. O primeiro questionamento foi de João Doria, que quis saber a proposta do adversário para a segurança pública. O candidato do PSB citou a queda de crimes como latrocínio e roubos a banco durante sua gestão.

“Eu quero valorizar os policiais, bombeiros e demais profissionais da segurança. Eles terão os melhores salários do País”, afirmou o atual governador. Em sua réplica, o João Doria também prometeu aumento de salário para os profissionais da segurança e também disse que pretende aumentar o efetivo, repetindo seu “slogan” para a segurança: “Polícia na rua e bandido na cadeia”. Na tréplica, França lembrou que sua vice é uma coronel da PM e também se recordou da queda da criminalidade em São Vicente durante sua gestão em São Vicente. 

Na sua vez de perguntar, o  Márcio França seguiu apontando seus bons números na prefeitura da cidade da baixada santista, lembrando que foi reeleito com 93% dos votos e fez seu sucessor, enquanto Doria teve menos votos na capital no primeiro turno do que quando foi eleito prefeito. 

O tucano se esquivou do assunto e voltou a falar de segurança, dizendo que pretende ajudar o Congresso a evitar as “saidinhas” de presos nos feriados. Em sua réplica, França afirmou que zerou a fila de creches em São Vicente e alfinetou o adversário sobre a polêmica da farinata. Na tréplica, o tucano se defendeu, dizendo que o atendimento das creches municipais da capital fazem atendimento “exemplar” e que também zerou o fila da pré-escola. 

Na pergunta final do bloco, França falou sobre o programa Leve Leite e insinuou que o adversário cortou a iniciativa na capital. O tucano negou, afirmando que “readequou” o programa e aumentou o número de crianças beneficiadas.

No segundo bloco, os candidatos fizeram perguntas entre si, mas limitados a temas escolhidos por sorteio. A primeira falha do formato deu as caras logo no primeiro sorteio, que colocou os postulantes ao governo do estado para debaterem sobre o tema “saúde”, que já havia sido abordado anteriormente.

Ao invés de questionar o adversário, França utilizou seu tempo para “reafirmar seu compromisso com a saúde” e apresentar algumas propostas. Doria fez o mesmo, dizendo que pretende pleitear mais recursos com o governo federal. França, por sua vez, lembrou que inaugurou AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) em cidades como Campinas e Ribeirão Preto e que outras unidades estão sendo inauguradas em diversas cidades.

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O próximo tema sorteado foi “água e saneamento”. Doria disse que pretende fazer a limpeza dos rios Tietê e Pinheiros e quis saber o projeto do adversário. França afirmou que, primeiramente, não pretende privatizar a Sabesp e que já está trabalhando  para a limpeza do rio através do saneamento nas cidades do interior. Em sua réplica, Doria disse que vai “capitalizar” a Sabesp e fazer a limpeza dos rios com recursos públicos.

Com o tema “metrô e trem” França lembrou da inauguração da estação Morumbi, sua sexta em sua gestão. Doria disse que o adversário “inaugura estações construídas por Geraldo Alckmin” e disse que vai implantar o “padrão metrô” na CPTM . França disse que foi escolhido como vice pelo ex-governador tucano e que nunca se desentendeu com Alckmin.

No terceiro bloco, a temática das perguntas voltou a ser livre e França falou sobre cursos técnicos a programas de bolsa para jovens de baixa renda. Em sua resposta, Doria disse que não tem “nada contra” a ideia do adversário, mas voltou a falar de seus programas de segurança e disse que irá ao Congresso pela diminuição da maioridade penal.

Em sua próxima pergunta, Doria quis saber a opinião do atual governador sobre o agronegócio, se colando como totalmente a favor da agricultura. O candidato do PSB concordou com o tucano, falando sobre o sucesso do etanol obtido da cana-de-açucar. “A agricultura e a pecuária tem que ser subsidiada”, afirmou França, que ainda prometeu que vai manter os empregos dentro do estado de São Paulo.

Em sua réplica, Doria afirmou que é “totalmente contra o MST ” afirmando que o movimento apoiou o PSB. Na tréplica, França endureceu o discurso. “Nem sei quem do MST me apoiou. Recebi apoio de tanta gente. Do Paulo Skaf, que é presidente da FIESP, do Major Olímpio que se elegeu pelo PSL e até do Alberto Goldman, que é do seu partido”, alfinetou o governador.

Nas duas perguntas seguintes, os dois candidatos voltaram a trocar farpas. Doria voltou a relacionar o adversário com ideologias de esquerda e com o que chamou de “velha política”. “Você tem 30 anos de vida pública. Você não representa o novo”, disse o tucano. França, por sua vez, lembrou da rejeição do tucano na capital. “Muitos não me conhecem, mas eles te rejeitam”, alfinetou.

No bloco final, as perguntas voltaram a ter temas sorteados e o primeiro tema foi “universidades públicas”. Doria questionou França sobre a escolha política do adversário para a reitoria da Univesp. O candidato do PSB voltou a ser ríspido. “A Univesp foi de 3 mil para 48 mil alunos. O reitor anterior era indicação de vocês. Quem você acha que foi mais eficiente?”, questionou. No restante do tempo, ele prometeu colocar o programa Bom Prato nas universidades e dar bolsas de estudo em universidades privadas pelo estado.

Na réplica, Doria afirmou que a reitora escolhida por França jamais deu aula e que ele foi uma “escolha política” do adversário. O atual governador defendeu a gestora e criticou o tratamento do adversário para com os professores.

Na última pergunta da noite, novamente um tema já abordado foi sorteado, com a escolha de “segurança e presídios”. Assim como no primeiro bloco, França repetiu que pretende valorizar os policiais, enquanto Doria voltou a falar que vai endurecer o combate ao crime.

Ainda houve tempo para mais um desentendimento, quando França acusou o tucano de falar de campanhas apenas por “marketing” e lembrou do desentendimento do ex-prefeito da capital com o também tucano Geraldo Alckmin . Doria por sua vez, voltou a chamar o adversário de “esquerdista”.

Nas considerações finais, França reafirmou seu “compromisso com a verdade”. “Tenho 30 anos de carreira e sou ficha limpa e represento a mudança após 24 anos de PSDB . Eu não falo as coisas por conveniência e nem faço populismo barato”, alfinetou o candidato do PSB.

Doria, por sua vez, concluiu o debate da Globo dizendo que “repudia as agressões e as fake news feitas contra sua família”. Novamente, o tucano bateu na tecla sobre a segurança e pediu votos para Jair Bolsonaro para presidente.

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