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Caso tem preocupado o grupo de especialistas que deu o alerta já no primeiro turno das eleições; para chefe da missão da organização, uso do aplicativo de mensagens particulares dificulta o controle das autoridades

Laura Chinchilla se mostrou preocupada com a influência das difusão de fake news pelo WhatsApp nas eleições
Rovena Rosa/Agência Brasil
Laura Chinchilla se mostrou preocupada com a influência das difusão de fake news pelo WhatsApp nas eleições

A presidente da missão de observadores da Organização de Estados Americanos (OEA) para as eleições brasileiras, Laura Chinchilla, disse nesta quinta-feira (25) que o Brasil enfrenta um fenômeno “sem precedentes” em relação a  difusão de fake news pelo WhatsApp. O fato tem preocupado o grupo de especialistas que deu o alerta já no primeiro turno das eleições.

“Outro fator que tem nos preocupado, e isso alertamos desde o primeiro turno, e que se intensificou neste segundo, foi o uso de notícias falsas para mobilizar vontades dos cidadãos. O fenômeno que estamos vendo no Brasil talvez não tenha precedentes, fundamentalmente, porque é diferente de outras campanhas eleitorais em outros países do mundo”, disse Laura sobre as fake news pelo WhatsApp.

Laura Chinchilla, que é ex-presidente da Costa Rica, reuniu-se, em São Paulo, com o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, a vice na chapa dele, Manuela d’Ávila, e o chanceler Celso Amorim. A reunião foi solicitada pela Coligação O Povo Feliz de Novo após a  denúncia do jornal "Folha de S.Paulo" sobre a compra, por parte de empresas, de disparos de mensagens no WhatsApp contra o PT.

A presidente da missão afirmou que recebeu por escrito as denúncias sobre o esquema. Ela disse que repassou as informações para as autoridades eleitorais e policiais brasileiras.

Para Laura Chinchilla, o uso do aplicativo de mensagens particulares dificulta o controle das autoridades em relação à disseminação de informações falsas, por ser uma rede privada e protegida.

“Se está usando uma rede privada, que é o WhatsApp, que apresenta muitas complexidades para ser investigada pelas autoridades. É uma rede que gera muita confiança porque são pessoas próximas que difundem as notícias e é a mais utilizada, com um alcance que nunca se tinha visto antes.”

A presidente da missão da OEA disse ainda que pretende se reunir com a procuradora-geral, Raquel Dodge, para discutir essa disseminação de fake news na internet e em aplicativos. Ela não afirmou, entretanto, quando será o encontro.

Segundo Laura Chinchilla, o controle está na conscientização do eleitorado brasileiro. “Continuaremos insistindo na necessidade que os cidadãos aprendam e façam um grande esforço para distinguir o que é certo e o que não é. Existem muitas iniciativas que estão tentando colocar isso na mesa. Iniciativas que estão se organizando na sociedade civil, nas universidades e nos meios de comunicação.”

Laura Chinchilla disse que além das fake news, preocupa a missão o tom utilizado em alguns discursos incitando a violência a partir de divergências políticas. Apesar de episódios isolados, ela afirmou que não houve irregularidades registradas no primeiro turno.

“Temos que reconhecer que esse processo eleitoral, onde não encontramos nenhum tipo de irregularidade no primeiro turno e esperamos que seja assim no segundo, foi fortemente impactado por alguns fenômenos ligados ao clima político, sobretudo o discurso, que alertamos, tende a dividir, tende a incentivar a violência política.”

O grupo de observadores reúne 48 especialistas de 38 nacionalidades. Eles vão se dividir entre o Distrito Federal e 11 estados para o acompanhamento do segundo turno das eleições. Ao final, será elaborado um relatório que deve abordar a influência das fake news pelo WhatsApp e na internet no resultado das eleições.