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Ministro Ives Gandra Filho foi à casa do candidato nesta semana; corregedor do CNJ suspeita que encontro vai contra a conduta imposta a magistrados

O corregedor nacional de justiça, Humberto Martins, pediu explicações de ministro do TST por encontro com Bolsonaro
José Cruz/Agência Brasil
O corregedor nacional de justiça, Humberto Martins, pediu explicações de ministro do TST por encontro com Bolsonaro

O corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, pediu que o ministro do Tribunal Superior de Trabalho (TST) Ives Gandra Filho esclaraça sua visita ao candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL). O encontro com Bolsonaro aconteceu na última segunda-feira (22) na casa do candidato, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. 

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O encontro com Bolsonaro  foi agendado por intermédio da deputada federal eleita pelo PSL, Carla Zambelli, e durou cerca de 50 minutos. Eles conversaram sobre o Judiciário e a nova lei trabalhista. Gandra Filho deixou a casa do candidato sem falar com a imprensa. O ministro defende a reforma trabalhista e já foi cotado para assumir uma vaga no STF pelo presidente Michel Temer, que acabou ocupada pelo atual ministro da corte Alexandre de Moraes.

Segundo a corregedoria, um ofício de pedido de providências foi instaurado devido a uma reportagem do site Jota . O ministro terá 15 dias para dar explicações e, após isso, o corregedor poderá analisar se é o caso de abertura de um procedimento administrativo disciplinar. Este procedimento pode trazer punições que vão de uma advertência à aposentádoria compulsória.

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A visita ocorreu um dia após a divulgação, nas redes sociais, do vídeo em que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), um dos filhos do presidenciável, sugere que “basta um soldado e um cabo” para fechar o STF.  A proximidade de Bolsonaro com o Judiciário pode trazer desconfiança sobre uma possível interferência de seu governo no Supremo. 

Na decisão, o corregedor observa que o encontro com Bolsonaro do ministro do TST  pode ir contra a conduta vedada a magistrados, na qual um dos artigos prevê que a liberdade de expressão não pode ser utilizada pela magistratura para exercícios de atividades político-partidárias.

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