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Demais deputados dependeram dos votos da legenda ou da coligação para alcançar uma das vagas; número é menor do que da última eleição

Número de eleitos e reeleitos com voto próprio caiu neste ano em relação as eleições passadas
Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Número de eleitos e reeleitos com voto próprio caiu neste ano em relação as eleições passadas

Apenas 27 dos deputados federais eleitos e reeleitos nas eleições deste ano não precisaram dos votos da legenda partidária ou da coligação para atingir o objetivo eleitoral. Segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o número é menor do que as das duas últimas eleições. Em 2014 foram 35, queda de, aproximadamente, 22,8%. Os eleitos com voto próprio em 2010 alcançou 36.

Na lista dos eleitos apenas com o voto próprio , 19 são novatos. Nesse grupo há quatro mulheres e 15 homens. Entre os oito reeleitos, todos são homens. Com votação expressiva, esse grupo também ajudou outros nomes de suas coligações a entrarem na Câmara dos Deputados.

Se não houver mudança na legislação, esta foi a última eleição em que as coligações são permitidas para as eleições proporcionais – deputado federal e estadual, além de vereador, cuja vaga é disputada em eleições municipais. A partir de 2020, esse tipo de aliança será proibido, conforme determina a Emenda Constitucional (EC) 97/17 aprovada pelo Congresso ano passado.

Ainda segundo o Diap , entre os eleitos com votos próprios em 2018, um terço (9), são de partidos de esquerda, centro-esquerda e centro. São três do PT (Gleisi Hoffmann – PR; Reginaldo Lopes – MG e Marília Arraes – PE); três do PSB (João Campos – PE; Alessandro Molon – RJ e JHC – AL); um do PV (Celio Studart – CE); um do PSOL (Marcelo Freixo – RJ); e um do PROS (Capitão Wagner – CE).

Os outros dois terços (18) são de centro-direita e direita. São sete do PSL (Eduardo Bolsonaro – SP; Joice Hasselmamm – SP; Helio Fernando Barbosa Lopes – RJ; Delegado Waldir – GO; Felipe Francischini – PR; Marcelo Álvaro Antônio – MG e Carlos Jordy – RJ); três do PSD (Sargento Fahur – PR; Flordelis – RJ e Otto Alencar Filho – BA); dois do PR (Josimar Maranhãozinho – MA e Celso Russomano – SP); e um, respectivamente, do PSC (André Ferreira – PE), do PRB (Tiririca – SP), do Avante (Pastor Sargento Isidório – BA); do DEM ( Kim Kataguiri – SP ); do Novo (Marcel Van Hattem – RS); e do PMN (Eduardo Braide – MA).

A maioria, nesse segundo grupo, é de policiais, líderes evangélicos, parentes de políticos ou líderes de movimentos liberais como o MBL (Movimento Brasil Livre). “[Eles] Foram eleitos na esteira do que está se convencionando chamar de bolsonarismo, que surpreendeu a todos na reta final da campanha, que se encerrou no último dia 7 de outubro” avaliam os analistas do Diap.

No quesito proporcionalidade, o grande campeão de votos é o estreante João Campos. Filho do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos e bisneto do ex-governador Miguel Arraes. Campos, com apenas 23 anos, recebeu 10,63% dos votos válidos. Foram 460.387 votos.

Em números absolutos, o campeão nacional do voto próprio é o deputado federal reeleito  Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que obteve 1.843.735 votos. Filho do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), o deputado é escrivão da Polícia Federal e vai assumir seu segundo mandato.