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Participação das mulheres na Câmara dos Deputados brasileira é a maior das últimas três legislaturas, mas ainda está abaixo da média latino-americana

No Distrito Federal, das eleitas para a nova bancada feminina, a campeã de votos foi Flávia Arruda (PR), mulher do ex-governador, ex-senador e ex-deputado federal José Roberto Arruda
Reprodução/Facebook
No Distrito Federal, das eleitas para a nova bancada feminina, a campeã de votos foi Flávia Arruda (PR), mulher do ex-governador, ex-senador e ex-deputado federal José Roberto Arruda

A Câmara dos Deputados terá, na legislatura que se inicia dia 1º de fevereiro, a maior bancada feminina das últimas três legislaturas – mas o Brasil ainda continuará abaixo da média da América Latina em número de mulheres no Legislativo. Uma das características do grupo de 77 deputadas eleitas, porém, é o parentesco com políticos tradicionais.

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Na bancada feminina , o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) identificou oito integrantes de famílias de políticos. A campeã de votos no Distrito Federal é Flávia Arruda (PR), mulher do ex-governador, ex-senador e ex-deputado federal José Roberto Arruda.

O ex-governador está inelegível desde 2014, quando foi condenado por improbidade administrativa após investigações da Operação Caixa de Pandora. Flávia Arruda, ao aproveitar os feitos do governo do marido, no qual desenvolveu projetos sociais, foi eleita para a Câmara com 121.140 votos.

Pelo Espírito Santo, o senador Magno Malta (PR-ES) não conseguiu se reeleger, mas o eleitorado capixaba mandou para a Câmara dos Deputados sua mulher, a empresária e música Lauriete (PR-ES). Ela já exerceu mandato como deputada de 2011 a 2015.

Outro derrotado nas urnas que conseguiu eleger a herdeira política foi o deputado Alex Canziani (PTB-PR). Nestas eleições, Canziani disputou uma cadeira no Senado e cedeu a vaga na Câmara para sua filha Luísa (PTB-PR), de 22 anos, a deputada mais jovem da nova Câmara. Ela conquistou 90.249 votos.

Deputadas reeleitas

Clarissa Garotinho, filiada ao PROS do Rio de Janeiro e filha do ex-governador Anthony Garotinho, foi uma das deputadas que compõem a bancada feminina e que conseguiram se reeleger
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Clarissa Garotinho, filiada ao PROS do Rio de Janeiro e filha do ex-governador Anthony Garotinho, foi uma das deputadas que compõem a bancada feminina e que conseguiram se reeleger

De Rondônia, chegará à Câmara outra deputada com sobrenome tradicional: Jaqueline Cassol (PP). Empresária e advogada, Jaqueline é irmã do senador Ivo Cassol (PP-RO) e teve 34.193 votos. Ambos são filhos do ex-deputado federal Reditário Cassol (PP-RO), suplente de senador na chapa do filho.

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No Rio de Janeiro, Daniela do Waguinho (MDB) foi eleita com 136.286 votos. A nova deputada federal é mulher do prefeito de Belford Roxo, Wagner dos Santos Cerneiro, o Waguinho. Ela foi secretária de Assistência Social e Cidadania do município.

Entre as atuais deputadas, renovaram os mandatos: Clarissa Garotinho (PROS-RJ), filha do ex-governador Anthony Garotinho ; Soraya Santos (PR), casada com o ex-deputado federal Alexandre Santos; e Rejane Dias (PT), a campeã de votos no Piauí (138.800 votos), esposa do governador reeleito Wellington Dias.

Crescimento da bancada feminina

Segundo o Diap, o crescimento da bancada feminina na Câmara ainda é insuficiente para equilibrar a participação de homens e mulheres no exercício da função de legislar em nome da população
Antonio Augusto/Câmara dos Deputados
Segundo o Diap, o crescimento da bancada feminina na Câmara ainda é insuficiente para equilibrar a participação de homens e mulheres no exercício da função de legislar em nome da população

Segundo balanço feito pelo Diap, houve crescimento de 15% no total de mulheres eleitas para a Câmara, mas isso ainda é “insuficiente para equilibrar a participação de homens e mulheres no exercício da função de legislar e fiscalizar em nome do povo brasileiro”. Nestas eleições, a legislação estabeleceu um mínimo de 30% de candidaturas femininas por partido ou coligação.

O percentual de mulheres eleitas vem aumentando nas últimas legislaturas e, neste pleito, teve discreta aceleração. Em 2014, quando foram eleitas 51 deputadas, a taxa de crescimento foi de pouco mais de 10% em comparação com a bancada de 45 deputadas eleitas em 2010.

“O índice alcançado na eleição de 2018 sinaliza um cenário mais otimista, de modo que o Brasil avance no ranking de participação de mulheres no Parlamento”, informa o Diap. No entanto, segundo o Diap, o Brasil ainda está “abaixo da média na América Latina, em torno de 30%” de representação feminina nos legislativos.

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Na bancada feminina da Câmara, 47 eleitas são novatas. Outras 30 já são deputadas e foram reeleitas. Das que exercem mandato, 14 não se reelegeram. Há também deputadas que concorreram a outros cargos: Janete Capiberibe (PSB-RO) foi derrotada na disputa para o Senado, Jô Moraes (PCdoB) perdeu como vice em Minas Gerais e Luciana Santos (PCdoB), ao contrário das duas primeiras, assumirá como vice-governadora em Pernambuco.


*Com informações da Agência Brasil