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Candidato garantiu que concessão de perdão ao ex-presidente "não está em pauta"; discurso de Haddad começa a mirar segundo turno com Bolsonaro

Fernando Haddad assumiu condição de candidato após Justiça Eleitoral barrar Lula com base na Lei da Ficha Limpa
Ricardo Stuckert
Fernando Haddad assumiu condição de candidato após Justiça Eleitoral barrar Lula com base na Lei da Ficha Limpa

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, negou nesta terça-feira (18) que concederá indulto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) , caso seja eleito. Foi a primeira vez em que essa medida foi objetivamente rechaçada pelo candidato.  

Em entrevista à rádio CBN e ao portal G1 , Fernando Haddad repetiu que Lula, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso tríplex da Operação Lava Jato, foi "vítima de erro judiciário”, mas garantiu que a concessão do indulto “não está em pauta”.

A possibilidade de concessão de perdão presidencial a Lula já foi ventilada por aliados do ex-presidente em diversas ocasiões, tendo o governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Fernando Pimentel, sido o último a levantar a questão , no fim de semana. Durante ato de sua campanha, Pimentel disse "ter esperança" de que  Lula será solto "no primeiro dia" de um eventual governo Haddad.

Apesar desses apelos, o próprio Lula diz não ter interesse em receber o indulto , conforme já disse a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, senadora Gleisi Hoffmann (PR). O ex-presidente, que chegou a ser registrado candidato mas foi barrado pela Justiça Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa, aposta que sua condenação será revertida na última instância da Justiça Federal.

Fernando Haddad pacificador

Fernando Haddad e sua candidata a vice, Manuela D'Ávila: chapa tem hoje 17,6% das intenções de voto, segundo CNT/MDA
Ricardo Stuckert
Fernando Haddad e sua candidata a vice, Manuela D'Ávila: chapa tem hoje 17,6% das intenções de voto, segundo CNT/MDA

O crescimento de Haddad nas pesquisas de intenção de voto faz com que sua campanha alcance um novo estágio . Hoje, para além de tentar atrair votos dos eleitores de Ciro Gomes (PDT) e de Marina Silva (Rede), que neste momento são seus principais adversários na disputa por espaço no segundo turno, Haddad quer se apresentar como um pacificador.

Nesse sentido, o candidato tem adotado discurso republicano, sinalizando intenção de dialogar até mesmo com rivais históricos, como o PSDB, caso seja eleito. A estratégia mira eventual disputa com Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno. O PT espera fazer com que o eleitorado enxergue em Haddad um candidato com maior capacidade de diálogo para montar um governo, opondo-se ao perfil do ex-capitão do Exército.

O próprio candidato confirmou nessa segunda-feira (17) a estratégia de adotar uma "linha propositiva" movida por "propostas, fortalecimento à democracia e instituições e respeito aos adversários".

“Lula elogiou muito a linha da nossa campanha e pediu para reforçar essa ideia de que queremos construir um País de paz e harmonia, voltado para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, com foco em trabalho e educação, que são dois eixos propositivos da nossa campanha”, disse Fernando Haddad após visita ao ex-presidente na superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

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