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Falas do general reformado Hamilton Mourão, vice de Jair Bolsonaro, têm causado desconforto no entorno próximo ao candidato

General reformado do Exército Antonio Hamilton Martins Mourão
Divulgação/Exército Brasileiro - 7.7.14
General reformado do Exército Antonio Hamilton Martins Mourão

O general reformado do Exército Hamilton Mourão avisou, logo após ser escolhido para compor a chapa presidencial junto de Jair Bolsonaro, que não seria um “vice decorativo”. Suas falas mais recentes tem provado que ele pretende mesmo assumir protagonismo nas eleições, discordando, muitas vezes, do que diz o próprio Bolsonaro e seu entorno.

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A mais recente das falas, que causou desconforto entre os filhos e os assessores mais próximos do deputado federal, foi um comentário sobre o vídeo gravado por Bolsonaro, em que o candidato diz que as eleições presidenciais deste ano podem ser fraudadas. Para Mourão , há de se “relevar o que ele disse”.

“O homem quase morreu há uma semana, passou por duas cirurgias gravas. O cara está fragilizado”, declarou o general reformado.  “Quem vencer as eleições, venceu”, concluiu.

As movimentações recentes do candidato a vice vêm gerando desconforto na chapa presidencial. Na semana passada, ele chegou, inclusive, a entrar com um pedido no Tribunal Superior Eleitoral requisitando substituir o deputado em entrevistas à TV e debates eleitorais. O general, no entanto, não consultou a cúpula de Bolsonaro ou seu partido, o PSL, antes de protocolar a ação judicial.

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Já nesta segunda (17), o militar fez um comentário considerado infeliz justamente sobre o grupo que têm impedido o crescimento da candidatura de Bolsonaro: as mulheres .

Para o candidato a vice, as famílias “sem pai e avô, mas com mãe e avó” são “fábrica de desajustados ”. Desses lares, assegurou, saem a mão de obra do tráfico de drogas.

A declaração foi dada no sindicato do mercado imobiliário de São Paulo. A plateia aplaudiu e concordou com o teor da palestra.

O general reformado também destilou suas opiniões sobre política externa. Para ele, o Brasil errou ao buscar estabelecer pontes diplomáticas e empresariais com a África e a América Latina.

“Nós nos ligamos com toda a mulambada , do lado de lá e de cá do oceano na diplomacia sul-sul”, disse Mourão , para quem o termo ‘mulambada’ se justifica pela exigência de satisfazer os empresários presentes no auditório.

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