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A transferência de Adélio Bispo de Oliveira foi determinada pela Justiça Federal durante a audiência de custódia, na tarde desta sexta-feira (7)

Adélio Bispo, o agressor de Bolsonaro, foi transferido no início da manhã deste sábado (8) para Mato Grosso do Sul
Reprodução/Globo
Adélio Bispo, o agressor de Bolsonaro, foi transferido no início da manhã deste sábado (8) para Mato Grosso do Sul

Adélio Bispo de Oliveira, autor do  ataque ao candidato Jair Bolsonaro (PSL), foi transferido, no início da manhã deste sábado (8), para o presídio federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Pouco antes das 7h30, o agressor de Bolsonaro chegou ao aeroporto de Juiz de Fora, escoltado por policiais federais.

Levado em um avião da Polícia Federal, ele deixou Juiz de Fora, em Minas Gerais, às 7h55. A aeronave com o agressor de Bolsonaro fez escala na cidade de Ribeirão Preto, em São Paulo, para então seguir viagem.

A aeronave chegou em Campo Grande por volta das 13h, no horário de Brasília. O autor do ataque seguiu para o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), onde passou por exames antes de ser levado para o Presídio Federal.

Adélio Bispo de Oliveira deve ficar em isolamento na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS). Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), o agressor ficará em cela individual, sem contato físico com outros presos da unidade. Nos primeiros dias, ele será submetido à avaliação médica e psiquiátrica.

As celas do presídio têm aproximadamente 7 metros quadrados, com cama, banco, escrivaninha, prateleiras, vaso, pia e chuveiro. Adélio ficará em ala destinada a réus colaboradores e presos protegidos pela Justiça ou com risco a integridade física.

Oliveira entrou em um avião da Polícia Federal, após passar a noite em um centro de detenção provisória na cidade. Antes ele havia sido novamente interrogado na sede da corporação, com objetivo de saber havia realmente agido sozinho, como alegou, ou se teve ajuda de outras pessoas e se o crime teve a participação de um mentor intelectual.

Decisão de transferência do agressor de Bolsonaro

Polícia Militar de Minas Gerais identificou o agressor de Bolsonaro como Adélio Bispo de Oliveira
DIVULGAÇÃO/ POLÍCIA MILITAR
Polícia Militar de Minas Gerais identificou o agressor de Bolsonaro como Adélio Bispo de Oliveira

decisão sobre a transferência para um presídio federal foi tomada em comum acordo entre a juíza federal Patrícia Alencar, que ouviu Adélio na sexta-feira (7), em audiência de instrução, o Ministério Público Federal e a própria defesa do acusado. O objetivo é garantir sua integridade física, já que poderia ser morto dentro do sistema prisional comum.

A informação foi transmitida pelo deputado Delegado Francischini (PSL), líder do partido na Câmara, que acompanhou a audiência de custódia com a juíza federal.

“A juíza deferiu a continuidade da prisão do Adelio, que tentou matar Jair Bolsonaro . É uma primeira vitória nossa. Claro que num crime complexo como esse não esperávamos mais do que a firmeza da doutora Patrícia, que manteve a prisão e determinou a transferência do Adelio para um presídio federal de segurança [máxima]. Ele vai ser removido agora pelo Ministério da Justiça. Não sabemos ainda para qual”, disse Franceschini, ao final da audiência, que durou cerca de uma hora e meia.

A juíza manteve o indiciamento do agressor pelo Artigo 20 da Lei de Segurança Nacional, que dispõe sobre “praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político”, que prevê pena de prisão de 3 a 10 anos, podendo ser dobrada, se o fato resultar em lesão corporal grave, ou triplicada, se resultar em morte.

Segundo o deputado, é importante garantir a integridade física do agressor, para que não haja “queima de arquivo na cadeia”, pois há suspeita de que ele possa ter agido em comum acordo com outras pessoas, tendo inclusive a possibilidade de que exista um mentor intelectual por trás da tentativa de assassinato de Bolsonaro.

Leia também: Defesa de Adelio Bispo diz que discurso de ódio motivou ataque a Bolsonaro

Franceschini disse que o agressor de Bolsonaro foi assistido por quatro advogados na audiência, que teriam concordado com sua transferência para um presídio federal.

*Com informações da Agência Brasil