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TSE foi indagado se pesquisa Ibope poderia ser divulgada mesmo contrariando registro; Bolsonaro sai na frente sem Lula

Novo levantamento do Ibope, sem Lula, foi divulgado nesta quarta (5)
iG São Paulo
Novo levantamento do Ibope, sem Lula, foi divulgado nesta quarta (5)

Suspensa na noite de terça-feira (4), a pesquisa eleitoral realizada pelo Ibope foi divulgada na noite desta quarta (5). Sem incluir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no cardápio de candidatos, substituindo-o por Fernando Haddad (PT), o levantamento mostra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) na liderança da corrida presidencial.

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A divulgação da pesquisa havia sido suspensa pelo Ibope , que questionou o Tribunal Superior Eleitoral se haveria algum problema jurídico em não incluir Lula entre as opções. Isso porque a pesquisa fora registrada antes da decisão do TSE, que definiu a inelegibilidade do ex-presidente, e o petista constava no questionário então registrado.

Por conta própria, o instituto retirou o nome de Lula da pesquisa, daí a dúvida se seria legal divulgá-la, uma vez que o questionário apresentado ao TSE contraria o que foi de fato realizado.

O ministro do TSE Luis Felipe Salomão, contudo, decidiu nesta quarta-feira (5) que não seria possível ao tribunal responder à consulta do Ibope sobre a divulgação da pesquisa eleitoral. 

"Nesse passo, verifico, de plano, ilegitimidade do instituto para realizar consultas nesta corte, uma vez que não se trata de autoridade com jurisdição federal ou órgão nacional de partido político", escreveu na decisão.

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Acompanhe, abaixo, os números verificados pela pesquisa:

Jair Bolsonaro (PSL): 22%
Marina Silva (Rede): 12%
Ciro Gomes (PDT): 12%
Geraldo Alckmin (PSDB): 9%
Fernando Haddad (PT): 6%
Alvaro Dias (Podemos): 3%
João Amoêdo (Novo): 3%
Henrique Meirelles (MDB): 2%
Guilherme Boulos (PSOL): 1%
Vera (PSTU): 1%
João Goulart Filho (PPL): 1%
Cabo Daciolo (Patriota): 0%
Eymael (DC): 0%
Branco/nulos: 21%
Não sabe/não respondeu: 7%

Nas simulações de segundo turno, Bolsonaro, que lidera a pesquisa, perde para todos os candidatos testados - com exceção de Haddad , com quem fica tecnicamente empatado.

Ciro Gomes venceria o capitão reformado por 44% a 33%. O tucano Geraldo Alckmin bateria o deputado federal por 41% a 32%. Já a ambientalista Marina Silva supera Bolsonaro por 43% a 33%. Na disputa com Haddad, o placar é 36% a 37% para o deputado, dentro, portanto, da margem de erro da pesquisa.

A maior rejeição verificada pela pesquisa é de Bolsonaro, que é repudiado por 44% dos eleitores. Vêm atrás Marina (26%), Haddad (23%), Alckmin (22%) e Ciro (20%). 

A margem de erro da pesquisa é de 2% para mais ou para menos. Foram ouvidas 2002 pessoas entre os dia 1 e 3 de setembro - o registro da pesquisa no TSE é BR‐05003/2018. O nível de confiança da pesquisa é de 95% (isto é, se fosse refeita nos mesmos termos as chances de um resultado diverso é de 5%). 

Acompanhe, abaixo, a nota divulgada pelo instituto de pesquisa:

" Como informado ontem, na pesquisa de intenção de votos realizada entre os dias 1 e 3 de setembro, para seguir as decisões decorrentes do indeferimento da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, que proibiram, entre outras coisas, que o ex-presidente participasse, como candidato, de atos de campanha, o Ibope deixou de aplicar o questionário em que o nome de Lula aparecia como postulante ao cargo de presidente da República, como constava do registo da pesquisa feito no TSE.

O instituto pesquisou apenas o cenário em que o nome de Fernando Haddad, candidato a vice-presidente pelo PT, aparecia juntamente com os candidatos que pediram registro.

O Ibope indagou ao TSE se este procedimento estava correto.

Em sua decisão de hoje, o ministro Luiz Felipe Salomão explicou que, segundo a lei, o TSE está impedido de responder a consultas como essa durante o período eleitoral.

Diante disso, e convicto de que agiu de boa fé e dentro da lei, e, ainda, no intuito de não privar o eleitor de informações relevantes sobre a situação atual das intenções de voto na eleição presidencial, o Ibope , decidiu liberar os resultados da pesquisa para divulgação, decisão que contou com o apoio dos contratantes TV Globo e o 'Estado de S.Paulo'. "

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