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Especialistas ouvidos pelo iG afirmam que influência da TV e do rádio é incerta; candidato com mais tempo de TV busca aumentar a popularidade

Propaganda eleitoral dos candidatos à presidência da República começa no sábado (1º)
iG São Paulo
Propaganda eleitoral dos candidatos à presidência da República começa no sábado (1º)

Dez dias mais curta, a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa nesta sexta feira (31) em meio a um cenário cheio de incertezas. Candidaturas contestadas, candidatos apostando no tempo de exposição para subir nas pesquisas e outros se apoiando no bom desempenho nas redes sociais. Até o dia 4 de outubro (três dias antes do 1º turno), os candidatos vão poder usar o tempo de TV para tentar conquistar o voto do eleitor.

Mesmo quem não assiste o horário eleitoral pode se deparar com as “inserções” – propagandas de 30 segundos e 1 minuto dos candidatos ao longo da programação das emissoras. No entanto, com a popularização do uso das redes sociais no Brasil, a influência da propaganda eleitoral na TV e no rádio nessas eleições também é incerta.

“Em geral influencia, mas agora não dá para saber. Vai ser uma eleição muito polarizada ideologicamente, esquerda e direita. É uma variável muito difícil de explicar”, afirmou o professor de ciência política na Universidade Federal do ABC (UFABC) Cláudio Luís Camargo Penteado.

A conclusão de Penteado é consenso entre os especialistas ouvidos pelo iG . Para o professor de ciência política da FGV Sérgio Praça, o horário eleitoral deve fazer diferença, mas não há como medir isso agora. “Quem tem mais tempo de TV, tem também pouca popularidade”, destacou Praça se referindo ao candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, que terá direito a mais da metade do tempo de propaganda, mas não tem se destacado nas pesquisas e nem nas redes sociais.

De acordo com a professora da Ufes, com experiência em marketing político, Janaína Leite, a polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), fez com que o tucano tentasse se apresentar como uma “opção central, mais racional de voto”. No entanto, segundo a professora, a disputa “nesse meio” conta com outros candidatos como Henrique Meirelles (MDB), João Amoêdo (Novo) e até mesmo Marina Silva (Rede).

“Se (Alckmin) tem alguma chance de crescer na pesquisa é a partir do bom uso desse enorme tempo de TV e de rádio que ele vai ter. É uma garantia que ele vai crescer? Não. Mas é a melhor chance que ele tem”, concluiu Janaína.

A professora da Ufes destaca ainda que os partidos com menos de 30 segundos de exposição podem acumular esse tempo . “O que esses candidatos devem fazer é aparecer menos vezes por semana com um tempinho um pouquinho maior”, afirmou Janaína.

Propaganda eleitoral e aposta nas redes sociais

Lula e Bolsonaro tem militância digital e são os primeiros colocados nas pesquisas antes do início da propaganda eleitoral
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Lula e Bolsonaro tem militância digital e são os primeiros colocados nas pesquisas antes do início da propaganda eleitoral

Para o professor de ciência política da UFABC, candidatos com menos tempo de TV devem apostar nas redes sociais. “Temos que pensar que mudou a forma como se consome informação, a TV ainda é a principal fonte de informação da população, mas hoje em dia há uma grande parcela que se informa pelas redes sociais e isso se deve principalmente pelo consumo da internet pelo celular, então isso acaba influenciando”.

Os especialistas destacaram o investimento do candidato do Novo, João Amoêdo, em conteúdo patrocinado nas redes sociais . Apesar de não figurar entre os principais nomes nas pesquisas de intenção de votos para a Presidência, o candidato conquistou, nas últimas semanas, a liderança do ranking de engajamento no Facebook.

Segundo o levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV DAPP), desde o início da campanha eleitoral, em 16 de agosto, até a última segunda-feira (27), a página oficial de Amoêdo na rede mobilizou quase 4,9 milhões de curtidas, comentários, reações e compartilhamentos — volume mais de 50% superior ao de Lula, que foi o segundo colocado no período. Os dois e Jair Bolsonaro despontam em relação aos outros candidatos até o momento.

Além de Amoêdo, apenas Guilherme Boulos (Psol) - quarto lugar no total de engajamentos - e Henrique Meirelles - décimo em engajamento – têm investido em post patrocinados no Facebook.

“Mesmo que tenha um candidato que se saia melhor nas redes e nesse caso específico hoje a gente tem o Lula e o Bolsonaro que tem uma militância digital bastante consolidada e nos últimos dias a gente tem visto o crescimento do próprio Amoêdo - com investimento muito forte de post patrocinado -, isso não quer dizer que esses candidatos estejam abrindo mão de outras estratégias inclusive a televisão”, ressaltou a professora da Ufes.

Quanto tempo cada candidato terá?

Eleições 2018 devem testar poder da propaganda eleitoral na conquista de eleitores
Nelson Jr./ ASICS/ TSE
Eleições 2018 devem testar poder da propaganda eleitoral na conquista de eleitores

A divisão do tempo de TV e rádio é feita de acordo com o tamanho das bancadas na Câmara dos partidos que compõem a coligação de cada candidato.

Durante uma audiência pública com a participação de representantes de partidos e órgãos envolvidos no processo eleitoral foi sorteada a ordem de aparição de cada candidato nos dois blocos previstos para serem veiculados pelas emissoras diariamente.

Os programas dos presidenciáveis irão ao ar às terças-feiras, quintas e aos sábados, o primeiro será exibido no dia 1º de setembro. A ordem será rotativa: aquele que abre o bloco no primeiro dia será o último no segundo, assim por diante.

No rádio, serão veiculados dois blocos de 12 minutos e meio às 7h e ao meio-dia, sempre aos sábados, às terças e às quintas-feiras. Na TV, os horários serão às 13h e às 20h30, nos mesmos dias da semana e com a mesma duração.

Veja a ordem de aparição dos candidatos no dia 1º de setembro, o tempo em cada bloco e o total de inserções ao longo dos 35 dias de campanha em rádio e TV:

  1. Marina Silva, coligação Unidos para Transformar o Brasil (Rede e PV): 21 segundos no horário eleitoral e 29 inserções;
  2. Cabo Daciolo (Patriota): oito segundos no horário eleitoral e 11 inserções;
  3. Eymael (Democracia Cristã): oito segundos no horário eleitoral e 12 inserções;
  4. Henrique Meirelles, coligação Essa é a Solução (MDB e PHS): um minuto e 55 segundos no horário eleitoral e 151 inserções;
  5. Ciro Gomes, coligação Brasil Soberano (PDT e Avante): 38 segundos no horário eleitoral e 51 inserções;
  6. Guilherme Boulos, coligação Vamos sem Medo de Mudar o Brasil (PSOL e PCB): 13 segundos e 17 inserções;
  7. Geraldo Alckmin, coligação Para Unir o Brasil (PRB, PP, PTB, PR, PPS, DEM, PSDB, PSD e Solidariedade): cinco minutos e 32 segundos no horário eleitoral e 434 inserções;
  8. Vera Lúcia (PSTU): cinco segundos no horário eleitoral e sete inserções;
  9. Lula, coligação O Povo Feliz De Novo (PT, PCdoB e Pros): dois minutos e 23 segundos no horário eleitoral e 189 inserções;
  10. João Amoêdo (Partido Novo): cinco segundos e oito inserções diárias;
  11. Alvaro Dias, coligação Mudança de Verdade (Pode, PSC, PTC e PRP): 40 segundos no horário eleitoral e 53 inserções;
  12. Jair Bolsonaro, coligação Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos (PSL e PRTB): oito segundos no horário eleitoral e 11 inserções e
  13. João Goulart Filho (PPL): cinco segundos no horário eleitoral e sete inserções.

Caso haja segundo turno, a veiculação da propaganda eleitoral será retomada no dia 12 de outubro, ou seja, na primeira sexta-feira após o primeiro turno. Serão mais 15 dias até o dia 26 de outubro – dois dias antes dos eleitores voltarem às urnas.

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