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Candidatos do PSDB e do PT se desentendem e trocam acusações durante o evento, que trouxe sete candidatos ao cargo de governador do estado

Sete candidatos a governador de São Paulo participaram do debate da RedeTV!
Reprodução
Sete candidatos a governador de São Paulo participaram do debate da RedeTV!

Aconteceu, na noite desta sexta-feira (24), o segundo debate entre os  candidatos  ao governo de São Paulo nas eleições de 2018. Márcio França (PSB), Rodrigo Tavares (PRTB), Paulo Skaf (MDB), Marcelo Candido (PDT), João Doria (PSDB),  Luiz Marinho (PT) e Lisete Arelaro (Psol) discutiram suas propostas para o governo de SP nos quatro blocos do debate da RedeTV!.

O formato do  debate foi adaptado do  evento entre os candidatos à Presidência da República na última semana. No primeiro bloco, os candidatos responderam a uma mesmo pergunta e depois escolheram questões aleatórias feitas por eleitores. No segundo bloco, jornalistas da emissora fizeram perguntas de tema livre para os políticos. No terceiro bloco, os candidatos fizeram perguntas uns para os outros. Já no bloco final, os pleiteantes fizeram suas considerações finais.

Primeiro bloco do debate e as facções criminosas

Sete candidatos a governador de São Paulo participaram do debate da RedeTV!
Divulgação/TSE
Sete candidatos a governador de São Paulo participaram do debate da RedeTV!

Os mediadores abriram o debate com uma pergunta que deveria ser respondida por todos os candidatos. O tema da questão foi como evitar o crescimento das facções criminosas no estado. Luiz Marinho se apresentou como o “candidato de Lula em São Paulo” e atacou a gestão PSDB, dizendo que os tucanos são responsáveis pelo aumento da criminalidade no estado.

Márcio França prometeu melhorar a inteligência e investir em tecnologia para as forças de segurança, além da “valorização dos policiais”. João Doria foi na mesma linha do atual governador, mas também falou em aumentar o número de delegacias e estabelecer o “padrão Rota” na Polícia Militar.

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Paulo Skaf lembrou que tem a tenente-coronel da PM Carla como candidata à vice e falou em mudar as leis para evitar privilégios aos presos. Marcelo Candido também falou em investir em inteligência, mas também propôs mais investimento em cultura, lazer e educação. “É preciso proteger nossos jovens para que eles não sejam cooptados pelo crime”, disse.

Após a questão inicial, os jornalistas foram sorteados para responder perguntas sobre temas aleotórios feitas por eleitores. Luiz Marinho teve que falar sobre a falta de médicos e recursos nos hospitais estaduais. O petista voltou a atacar o PSDB e propôs uma reestruturação de todos os hospitais do SUS, inclusive nos municípios.  

Márcio França foi questionado sobre a “crise” nas universidades públicas de São Paulo. O governador lembrou da criação da Univesp e prometeu que dentro de um ano todos os alunos formados no ensino médio poderão frequentar a faculdade virtual sem vestibular.

João Doria foi questionado sobre como atender a violência contra a militar. O tucano disse que pretende ampliar o número de delegacias da mulher e disse que o estado tem “obrigação de amparar as mulheres”.

Paulo Skaf respondeu sobre como aumentar o salário dos professores. O emedebista lembrou de seu trabalho à frente do Sesi e disse que pretende implementar esse padrão nas escolas estaduais, sem citar se isso influenciaria ou não no salário dos educadores.

Segundo bloco com temas livres

João Doria elogiou a gestão do tucano Geraldo Alckmin durante o debate nesta sexta-feira (24)
Reprodução/Facebook
João Doria elogiou a gestão do tucano Geraldo Alckmin durante o debate nesta sexta-feira (24)

No segundo bloco, jornalistas da RedeTV! fizeram perguntas de tema livre ao candidato.  A primeira questão foi direcionada a João Doria, sobre promessa do tucano de não deixar o mandato da prefeitura de São Paulo e quando é válido para um candidato não cumprir com a própria palavra.

O ex-prefeito elogiou a gestão de Geraldo Alckmin no estado, dizendo que pretende “continuar o bom trabalho” do colega de partido. Ele também elogiou o atual prefeito da capital, Bruno Covas. No comentário, Paulo Skaf ignorou o tema da pergunta e a fala do adversário e seguiu falando sobre suas propostas.

Luiz Marinho apareceu em duas perguntas. Primeiro, ao comentar sobre educação . Depois, ao responder sobre obras inacabadas em seu governo na cidade de São Bernardo do Campo, ele disse que o jornalista "estava mentindo" e que deixou todas as suas obras “em andamento”, e ainda criticou seu sucessor e Leo Pinheiro.

Márcio França foi questionado sobre seu apoio a Geraldo Alckmin, ao contrário de seu partido, que fez aliança informal com o PT. O governador minimizou as rusgas partidárias e reafirmou sua lealdade ao candidato tucano ao Planalto. No comentário, João Doria concordou com o adversário. “Essas coisas ficam para trás”, disse.

Sobre geração de empregos através de obras públicas, Marcelo Cândido citou o prejuízo causado por construções públicas paradas , mas disse que é preciso fazer uma investigação antes de tocar as obras. Márcio França disse que poderia inaugurar mais de 1000 obras no estado, mas disse que estabilidade econômica do País o impede.

Perguntado sobre geração de empregos, João Doria pegou carona na pergunta anterior e falou em ativar obras de infraestrutura, mas também falou que pretende atrair investidores internacionais para o estado. O tucano ainda prometeu desburocratizar o estado. No comentário, Marcelo Cândido prometeu investir em educação de tecnologias para dar mais oportunidades aos jovens para entrar no mercado de trabalho.

Questionado sobre as obras do monotrilho, Márcio França disse pretende continuar as obras, mas disse que não vai colocar dinheiro público em uma concessão privada. No comentário, Luiz Marinho, mais uma vez, citou o “fracasso” do governo do PSDB no estado.

Perguntado sobre o “desastre fiscal do governo Dilma”, Luiz Marinho criticou o empresariado e disse que a ex-presidente acreditou nas empresas ao dar incentivos fiscais. Ele ainda disse que a petista não teve tempo de corrigir o curso pois foi vítima de um golpe.

No comentário, Paulo Skaf disse que o adversário estava cometendo uma injustiça. “O Estado brasileiro é pesado, é ‘gastão’, tem corrupção. Colocar essa culpa no trabalhador é na iniciativa privada é um erro”.

Terceiro bloco e a rixa entre Marinho e Doria 

Luiz Marinho, candidato do PT ao governo de São Paulo, atacou sucessor durante debate
Reprodução/Facebook
Luiz Marinho, candidato do PT ao governo de São Paulo, atacou sucessor durante debate

No terceiro bloco, os candidatos finalmente puderam fazer perguntas uns para os outros. O primeiro a escolher foi João Doria, que perguntou para Paulo Skaf sobre o investimento em pessoas com deficiência. O emedebista voltou a lembrar seu trabalho no SESI, dizendo que metade da seleção brasileira paraolímpica de atletismo é atleta do SESI. Na réplica, o tucano prometeu ampliar a Rede de Reabilitação Lucy Montoro.

O próprio Skaf fez a próxima pergunta, e escolheu Márcio França para falar sobre segurança pública. O atual governador admitiu que a população está com medo, e voltou a comentar sobre investimento em tecnologia e inteligência. Na réplica, Skaf disse que quer “comparara São Paulo com os melhores”.

Questionado pela candidata Lisete sobre as agressões aos professores durante manifestações, João Doria negou que seu governo tenha dado tal ordem. “Sempre fui a favor do diálogo e os professores sempre serão bem vindos para conversar no meu governo”, disse o tucano.

Luiz Marinho usou sua pergunta para Marcelo Cândido para voltar a afirmar que Dilma sofreu um golpe, e criticou as reformas do governo de Michel Temer. Sem citar a ex-presidente petista, o candidato do PDT também criticou as reformas, mas disse que é preciso fazer novas propostas. Em sua réplica, o petista voltou a citar Lula e disse que o ex-presidente vai revogar as medidas do atual governo.

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Na segunda rodada de perguntas, Márcio França iniciou perguntando para Paulo Skaf sobre como aumentar o número de vagas em creches. O emedebista disse que pretende apoiar as prefeituras no custeio das creches, utilizando, inclusive, recursos federais.

No momento mais tenso da noite, Luiz Marinho escolheu perguntar para João Doria. O petista afirmou que a violência contra a mulher aumentou em São Paulo, e disse que as gestões tucanas não "cuidaram das mulheres". Em sua resposta, Doria disse que a primeira delegacia da mulher foi implementada pelo tucano Franco Montoro e reafirmou seu compromisso de aumentar o número de delagacias.

Na réplica, o petista seguiu no ataque, e disse que o próprio Doria havia afirmado durante o debate que as delegacias da mulher não funcionam. Irritado, o tucano negou e também partiu para o ataque, dizendo que o PT é o "reponsável pela maior recessão econômica do Brasil e pelos maiores crimes de corrupção".

Após o embate, Luiz Marinho pediu direito de resposta, que acabou sendo concedido pela banca. Ele voltou a defender Lula e se referiu ao ex-presidente como um “injustiçado”. O petista também afirmou que o "único condenado ali" era Doria, se referindo à condenação do tucano por imbrobidade administrativa.

Após a briga, os dois candidatos voltaram ao centro do palco, mas não citaram a discussão. Doria voltou a debater sobre segurança pública com Rodrigo Tavares e Marinho falou sobre a proposta do hidroanel feita por Marcelo Cândido.

Considerações finais do debate

Debate na RedeTv! entre candidatos ao governo de São Paulo
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Debate na RedeTv! entre candidatos ao governo de São Paulo

No último bloco do debate , os candidatos não inovaram. Doria prometeu um "estado menor", investimento na segurança pública e incentivo à iniciativa privada. Luiz Marinho voltou a evocar o nome de Lula, disse que vai "transformar" o estado de São Paulo através do emprego e criticou o que chamou de "consórcio golpista". Márcio França se apresentou como alternativa à polarização entre PSDB, PT e MDB e exaltou seus quatro meses no governo. Paulo Skaf insistiu no mote de "reestruturação" do estado e Marcelo Cândido disse que "São Paulo precisa de uma mudança profunda e verdadeira". 

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