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Marina Silva disse que "enquanto as mulheres trabalharem mais que os homens e tiverem dupla jornada", aposentadoria será diferenciada

Marina Silva em entrevista à EBC
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Marina Silva em entrevista à EBC

A candidata da Rede Sustentabilidade à Presidência da República, Marina Silva, defendeu, em entrevista à  EBC , um tratamento especial para as mulheres na reforma da Previdência. Sem especificar qual seria a idade mínima para aposentadoria feminina, ela afirmou que "enquanto as mulheres trabalharem mais que os homens e tiverem dupla jornada, elas terão uma aposentadoria diferenciada".

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Além de defender a discussão da reforma da Previdência - mas não a proposta enviada pelo governo ao Congresso, que classificou como "draconiana" - , Marina Silva afirmou que o "Plano Real deu certo, mas foi desvirtuado".

Ela assegurou que manterá o tripé econômico em vigor: câmbio flutuante, com mecanismos de proteção, controle da inflação e superávit primário, sinalizando também ser favorável à política de juros baixos para a retomada do crédito.

Questionada sobre a influência das eleições no mercado financeiro, especificamente sobre a alta do dólar que ocorre nesta semana, a candidata reagiu: "Sempre que se tem eleição, aparece esta história de variação do dólar. A democracia não pode estar sujeita a este tipo de coisa; a gente tem de debater ideias".

Marina afirmou ainda que há estrangeiros querendo investir no Brasil , mas que para isso acontecer o país precisa ter credibilidade, combater a corrupção e oferecer segurança jurídica para as empresas.

Ela defendeu a volta dos empregos sobretudo por meio da dinamização da construção civil, das obras de infraestrutura, do turismo e energia limpa, citando investimentos em placas solares.  A candidata também garantiu o reajuste do salário mínimo pela inflação e defendeu que o país volte a crescer para que se tenha prosperidade e melhor remuneração para os trabalhadores.

A ambientalista se mostrou contrária ao aumento dos salários do Poder Judiciário aprovado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal ( STF ). "Não se pode pedir sacrifício da população se o exemplo não vem de cima". 

A candidata se disse, por fim, capaz de unir os brasileiros, mas, durante a entrevista, acabou dividindo evangélicos e católicos. Ao ser perguntada sobre que tratamento daria na rede de saúde ao público LGBTQI +, ela respondeu que trataria todos como cidadãos, sem qualquer discriminação e de acordo com suas necessidades de saúde.

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Em seguida, reclamou do questionamento: "Eu acho engraçado que esta pergunta é sempre feita a mim talvez pelo fato de eu ser cristã e evangélica. Sempre tem um certo enviesamento comigo. Mas eu não vejo esta pergunta sendo feita por exemplo ao candidato Alckmin, que é católico praticante e que com certeza também tem posições referentes ao aborto e outros temas".

Sobre o aborto, voltou a defender a realização de um plebiscito que envolva toda a população - e não apenas as mulheres. Marina, que se disse pessoalmente contrária ao aborto, afirmou que nem o Judiciário nem o Congresso estão aptos a decidir sobre a descriminalização.

Em segurança pública, Marina defendeu também o sistema penitenciário público, sem privatização das cadeias, e com valorização e integração das polícias.

Por fim, criticou a intervenção federal no Rio de Janeiro, dizendo que foi necessária porque "não havia mais governo no Rio e a população não poderia ficar entregue à própria sorte."  Marina Silva disse que a violência precisa ser combatida de forma estruturada e estruturante.  A candidata defende que o Exército não atue em segurança pública. 

* Com informações da Agência Brasil

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