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Filha do senador José Serra teria recebido dois repasses ilegais da empreiteira em uma conta Suíça; tucano nega acusação

José Serra foi ministro das Relações Exteriores de Michel Temer
André Dusek/Estadão Conteúdo - 01.08.2016
José Serra foi ministro das Relações Exteriores de Michel Temer

Afastado da vida política desde que deixou o ministério das Relações Exteriores, para o qual fora nomeado por Michel Temer (MDB), o tucano José Serra vê fechar contra si o cerco de investigadores da Lava Jato.

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Dessa vez, a Polícia Federal mira uma delação de Pedro Novis, ex-presidente da Odebrecht, que afirma ter feito repasses ilegais para a filha de José Serra , Vêronica Serra.

Documentos remetidos ao Brasil pro autoridades na Suíça dão conta de que ao menos 400 mil euros – aproximadamente R$ 1,8 milhão – foram transferidos por José Pinto Ramos, um dos operadores financeiros da Odebrecht, para uma conta que tem Verônica como beneficiária. Os repasses se deram entre 2006 e 2007.

De acordo com o delator, o dinheiro tinha como destino a campanha do tucano ao governo de São Paulo em 2006, e constituíam caixa 2. A Polícia Federal teve acesso, também, à e-mails da própria Verônica Serra autorizando as transações.

Procurado, o senador defendeu-se, por meio de sua assessoria de imprensa, dizendo que “rejeita a possibilidade de haver qualquer ilegalidade envolvendo o nome de sua filha”. Ele reafirmou, ainda, que “jamais recebeu nenhum tipo de vantagem indevida ao longo de sua extensa carreira política”.

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Odebrecht teria repassado R$ 52 milhões a José Serra

O senador José Serra, do PSDB
Pedro França/Agência Senado - 12.7.17
O senador José Serra, do PSDB

Pedro Novis, que esteve à frente da Odebrecht entre 2002 e 2008, disse ainda que o senador Serra solicitou R$52,4 milhões à construtora. Os pedidos teriam sido feitos, e atendidos, entre 2002 e 2012, e se destinavam a Serra e seu partido, o PSDB.

O depoimento foi dado em junho de 2017. Outros 76 executivos da empresa também prestaram depoimento como parte do acordo de delação premiada.

O executivo contou que o dinheiro foi repassado por caixa 2, isto é, não consta nas declarações de doações de campanha tornadas obrigatórias pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Ainda, parte do dinheiro seria fruto de propina – relacionado, portanto, a algum negócio da construtora com o governo paulista. Os montantes teriam sido entregues por meio de contas no exterior e em dinheiro vivo, no Brasil.

Novis também detalhou como se deram os repasses ao longo do tempo e afirmou conhecer José Serra , candidato à presidência da República em 2002 e 2010, desde os anos 1980. Parte do dinheiro, inclusive, teria sido usado para custear a campanha do tucano ao Planalto.

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