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Contratada como “assessora” de Bolsonaro na Câmara dos Deputados, Walderice Santos, a "Wal", trabalha, na verdade, em uma loja de açaí

Montagem iG/TV Bandeirantes
"Assessora" de Bolsonaro foi assunto do debate dos candidatos na Band

Questionado por Guilherme Boulos (PSOL) no debate da Band sobre quem é Walderice Santos, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) disse tratar-se de uma funcionária de seu gabinete parlamentar. A “assessora” de Bolsonaro, contudo, trabalha na verdade em uma loja de açaí, e recebe para tanto R$ 1.351 da Câmara dos Deputados.

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Em janeiro deste ano, uma reportagem publicada no jornal  Folha de S.Paulo  já havia mostrado que capitão reformado usava verba da Câmara para pagar uma funcionária fantasma que vive em um distrito a 50km de Angra dos Reis (RJ). A “assessora” de Bolsonaro , explicou então o candidato, estaria de férias quando a reportagem do jornal a encontrou na loja de açaí.

Buscando passar a limpo a história, os repórteres do jornal retornaram, nesta segunda-feira (13), ao pequeno município fluminense.

Os jornalistas encontraram Wal, como ela é conhecida, na mesmíssima banca de açaí, trabalhando. O marido da vendedora, Edenilson, é caseiro de Bolsonaro , que possui uma casa de veraneio na cidade.

Questionada pelos repórteres se era certo que ela recebesse dinheiro da Câmara para prestar serviços pessoais ao candidato à Presidência, Walderice disse: “Mas aí é uma coisa que cabe a ele responder”.

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De acordo com as regras internas da Câmara, os assessores parlamentares precisam trabalhar de forma exclusiva para o gabinete parlamentar durante 8 horas diárias.

Desde que passou a constar na folha salarial do gabinete do deputado, há 15 anos, Walderice ocupou uma série de cargos. Em 2012, aponta a Folha, atingiu o posto mais alto do gabinete – o salário para tal função pode chegar a R$14 mil.

Questionado pelo jornal, Bolsonaro alegou que Wal tem como função reportar a ele e ao chefe de seu gabinete “qualquer problema na região”. A  Folha  pediu ao deputado que desse exemplos de serviços do tipo prestados por ela, mas ele não soube informar nenhum.

Minutos após a visita dos repórteres, a “assessora” de Bolsonaro informou que irá se demitir do cargo. O deputado ainda não se manifestou sobre o caso.

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