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Acordo decidido nessa quarta-feira (1º) nos estados do Amazonas, Amapá, Paraíba e Pernambuco impedem que PSB anuncie apoio à candidatura de Ciro ao Planalto; diretórios reclamaram da decisão e clamam por 'resistência'

Acordo entre PT e PSB busca neutralidade dos socialistas, que ficariam impedidos de apoiar candidatura de Ciro
Ricardo Stuckert / Instituto Lula
Acordo entre PT e PSB busca neutralidade dos socialistas, que ficariam impedidos de apoiar candidatura de Ciro

As cúpulas do PT e do PSB decidiram fechar acordo nesta quarta-feira (1º), em que o Partido dos Trabalhadores se compromete a apoiar as candidaturas dos socialistas nos estados do Amazonas, Amapá, Paraíba e Pernambuco. O acordo entre PT e PSB tem como objetivo a neutralidade da sigla nas eleições presidenciais. Com informações do jornal Folha de S. Paulo.

O acordo entre PT e PSB anunciado ontem obteve protestos nas bases regionais dos partidos. Consumado o ‘pacto’, os socialistas devem se colocar neutros na corrida ao Planalto, o que acaba com a possível aliança com o PDT e, portanto, no isolamento do candidato da sigla, Ciro Gomes.

No Pernambuco, a vereadora petista Marília Arraes deverá retirar sua candidatura em apoio à reeleição do governador socialista Paulo Câmara. À Folha , Marília afirmou, contudo, que “não irá desistir de concorrer”, e que acredita “haver recurso para reverter a decisão”. Em Minas Gerais, o presidente nacional do PSB , Carlos Siqueira, desistiu de concorrer ao Palácio da Liberdade e declarou apoio à reeleição de Fernando Pimentel, do PT.

Acordo entre PT e PSB gera revolta em diretórios

Em Minas, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, 'desistiu' de concorrer e declarou apoio à reeleição de Pimentel
Manoel Marques/Imprensa MG - 26.3.18
Em Minas, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, 'desistiu' de concorrer e declarou apoio à reeleição de Pimentel

Vale destacar que o  acordo entre os dois partidos foi costurado no PT pela corrente CNB (Construindo um Novo Brasil), da qual faz parte o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso porque o petista calcula que a eleição de 2018 será polarizada entre direita e esquerda, e por Ciro Gomes ser considerado adversário direto ao PT, existe a tentativa de isolá-lo na competição, principalmente nos estados do Nordeste.

Além disso, ao escolher seguir a neutralidade na corrida dos presidenciáveis, o PSB deixa de colaborar no tempo de TV da campanha de Ciro.

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Já entre os socialistas, o acordo foi defendido pela ala de Pernambuco, a mais poderosa da sigla, e também pela Paraíba. Caso se declare neutra, a legenda deve orientar que os diretórios estaduais apoiem candidatos à presidência que sejam de esquerda e que sejam contrários à reforma trabalhista.

Apesar de anunciado, o acordo entre PT e PSB foi recebido com protestos de ambos os lados, sendo que dirigentes petistas entraram com recurso pela permanência da candidatura de Marília Arraes. Do outro lado, o diretório do PSB em Minas Gerais defendeu a resistência contra a decisão; além disso, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), disse que a decisão é “lamentável e um erro do partido” e que, mesmo com a neutralidade, irá apoiar a campanha de Ciro Gomes.

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