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Coronel Lima utilizou um laranja como contador, Almir Martins, que se tornou responsável por um contrato que a Rodrimar mantinha com o braço de uma offshore do Uruguai no Brasil, a Eliland; entenda mais da investigação

Polícia Federal aponta elo entre amigo de Temer e Rodrimar em inquérito sobre decreto dos portos
Beto Barata/PR - 7.7.17
Polícia Federal aponta elo entre amigo de Temer e Rodrimar em inquérito sobre decreto dos portos

Depois de meses de investigação, a Polícia Federal encontrou o que pode ser o primeiro documento financeiro que liga o coronel João Baptista Lima Filho , amigo de Michel Temer, e a empresa Rodrimar, apontada por possíveis propinas pagas ao governo do MDB em troca de favorecimento no chamado decreto dos portos, no Porto de Santos, assinado pelo presidente em 2017. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

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Segundo o inquérito, que tem Temer como principal alvo, o coronel Lima utilizou um laranja como contador – Almir Martins – que se tornou responsável por um contrato que a Rodrimar mantinha com o braço de uma offshore do Uruguai no Brasil, a Eliland. Para a Polícia Federal, a ligação entre o amigo de Temer e a empresa investigada seria, portanto, essa offshore.

Martins, além de possível laranja do coronel aposentado, foi contador das campanhas eleitorais de Temer nos anos de 1994, 1998, 2002 e 2006, e trabalha ainda hoje em uma das empresas de Lima, a Argeplan. Em depoimento à PF, disse que “foi colocado como gerente para administrar dinheiro de um único contrato com a Rodrimar”, mas não deu detalhes sobre tais serviços prestados.

Ele ainda disse que a Eliland tinha como meta a intermediação de negócios e que as atividades da empresa teriam sido encerradas, segundo o contador, embora a CNPJ continue ativo. De acordo com Martins, quem o indicou para a ‘vaga’ foi o diretor da Argeplan, José Aparecido da Silva, que também é apontado como suposto laranja do coronel em relatórios da PF na operação Patmos.

Vale lembrar que Almir Martins foi um dos alvos da Operação Skala, que mirou empresários ligados a Temer a amigos dele, como o coronel Lima, que inclusive chegou a ser preso. Na época, ele foi convocado a depor na condição de contador da Argeplan, empresa de arquitetura do coronel.

Investigações em torno de Temer e da Rodrimar na Patmos

Temer é investigado nesse inquérito por supostamente ter recebido propina da Rodrimar, empresa que opera o Porto de Santos (SP) , em troca de favorecimentos à empresa por meio do decreto assinado em maio do ano passado que regulamenta contratos de concessão e arrendamento do setor portuário. Rocha Loures, que já foi gravado recebendo mala com R$ 500 mil de executivos da JBS, teria sido o responsável por retirar a propina da empresa para Temer. Os dois negam as acusações.

Para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal, existem indícios de que decreto dos portos, assinado por Temer em maio de 2017. Há cerca de um mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) atendeu o pedido da PF e prorrogou o tempo de investigação do inquérito dos portos por mais 60 dias.

O coronel João Baptista Lima, amigo e ex-assessor do presidente, é apontado em delações premiadas de executivos da JBS como intermediário de Temer . Ele teria recebido, em nome do mandatário emedebista, R$ 1 milhão destinados à campanha presidencial de 2014.

Em fevereiro, o então diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, chegou a afirmar em entrevista que a "principal prova" colhida pelas investigações até aquele momento tratava-se de uma  gravação de conversa entre Rocha Loures e o assessor jurídico da Casa Civil Gustavo Rocha.

No diálogo,  Gustavo defende que o texto do decreto dos Portos não deveria incluir regra para beneficiar empresas que conseguiram concessões antes do ano de 1993 (caso da Rodrimar ), pois isso poderia causar "exposição" para o presidente.


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