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Mesmo com paralisação nas estradas, população parece estar do lado dos caminhoneiros e aguarda por uma tomada de atitude rápida dos governantes

No comando de um País que sofre com a falta de abastecimento de diversos setores de sua economia, devido à greve dos caminhoneiros, o presidente da República, Michel Temer, não tem muito o que fazer agora. Já pediu – como ele mesmo definiu em um pronunciamento – 'trégua' à categoria e, mesmo após acordo firmado nessa quinta-feira (24), espera como um refém o momento em que a paralisação terá um fim efetivo.

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Marcos Corrêa/PR - 2.5.18
"Lamento, mas tenho de enfrentar", diz presidente Michel Temer sobre protestos com gritos de 'golpista'

Falta firmeza para Temer . Afinal, uma greve dos caminhoneiros em um País que depende de sua malha rodoviária não é rara. Muitas já aconteceram e algumas ainda mais longas que a atual. No entanto, nenhuma havia causado tantos danos à economia e ao dia a dia dos brasileiros.

A falta de reação do governo federal, desta vez, foi o que fez o caos se estabelecer tão rápido em todo o território brasileiro. O governo – e, consequentemente, o País – está nas mãos dos caminhoneiros.

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Na noite dessa quinta-feira (24), Temer se mostrou rendido mais uma vez. Em cadeia nacional, ministros anunciaram um acordo com o movimento dos caminhoneiros para o fim da greve. De acordo com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, o governo arcaria com os custos da manutenção do preço do diesel, aliviando a Petrobras do prejuízo. Carlos Marun, articulador político de Temer, explicou que a regra se aplica apenas ao diesel, não à gasolina. 

Tudo isso não passou de mais uma "volta" que o governo tomou na frente de todos. Na manhã desta sexta-feira (25), tudo segue como estava, ou melhor, as coisas seguem paradas como estavam. Em São Paulo, maior cidade do País , os postos de combustíveis estão praticamente todos sem produtos.

Pela manhã, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou à imprensa que não havia registrado, até perto das 8h, nenhuma desmobilização. O fim da greve também pareceu distante para quem teve que acordar cedo e trafegar pelas vias comprometidas em todo o País.

Na Régis Bitencourt, em São Paulo, carretas e caminhões permanecem estacionados ao longo da rodovia. O mesmo ocorre em rodovias no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, estado que apresenta 74 pontos de manifestação. No Distrito Federal, a PRF registra manifestação de caminhoneiros na BR-020, BR-060, BR-070 e BR-080.

Em Brasília, durante toda a madrugada e no começo desta manhã, motoristas faziam filas para abastecer seus carros nos postos que mantêm estoques de gasolina e diesel. A mesma cena foi vista em postos de todo o Brasil.

Segundo o Aeroporto de Brasília, a reserva de combustível está esgotada. Com isso, todos os voos que pousarem em Brasília e que precisem de abastecimento ficarão em solo até volta do fornecimento.

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Os próximos dias prometem ser difíceis, o abastecimento de combustível, alimentos, produtos de saúde estão ameaçados. A população, mesmo refém da situação, não parece estar contra a greve dos caminhoneiros e sim contra o governo Temer , cansada de ser explorada. E agora presidente, como vai sair dessa?

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