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Ex-governador da Bahia era cogitado como possível candidato do PT, mas afirmou que "sempre defendeu" que partido deveria ceder a cabeça de chapa

Ex-governador da Bahia e ex-ministro do governo Dilma Rousseff, Jaques Wagner declarou que PT pode aceitar ser vice de Ciro Gomes (PDT)
Edilson Rodrigues/Agência Senado - 29.8.16
Ex-governador da Bahia e ex-ministro do governo Dilma Rousseff, Jaques Wagner declarou que PT pode aceitar ser vice de Ciro Gomes (PDT)

O ex-governador da Bahia, Jaques Wagner , afirmou nesta terça-feira (1º) que o PT pode aceitar ser vice na chapa encabeçada por Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República nas eleições deste ano. Durante ato em celebração ao 1º de maio organizado em Curitiba, Jaques Wagner afirmou que "sempre defendeu" que "estava na hora de ceder a presidência" a outro partido.

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Em resposta aos jornalistas, o ex-ministro do governo Dilma Rousseff chegou a citar o candidato do PSB à presidência em 2014, Eduardo Campos, como exemplo de quem o PT poderia ter apoiado. "Sempre defendi que, após 16 anos, estava na hora de ceder a presidência. Sempre achei isso. Não conheço na democracia ninguém que fica 30 anos. Em geral fica 12, 16, 20 anos. Defendi isso quando o Eduardo Campos ainda era vivo. Estou à vontade neste território", afirmou.

Mudança de discurso

O discurso sai da linha que o PT escolheu adotar desde que a situação do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva começou a se complicar judicialmente. Lula foi condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro a 12 anos e 1 mês de prisão  e, com base na lei da Ficha Limpa, já não pode concorrer a qualquer cargo eletivo no país. Ainda assim,  ele é líder das pesquisas de intenção de voto em todos os cenários que seu nome é posto como opção.

Diante disso, o PT tinha adotado o discurso de que não seria responsável por "tirar Lula das urnas" em outubro e que o ex-presidente é "o plano A, B e C" do partido. Sobre isso, Wagner fez coro: “o PT vai sustentar a candidatura do Lula até que alguém diga que ele está interditado definitivamente. Ninguém traça uma estratégia já pensando em plano B”, respondeu.

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O líder petista ainda disse que "em hipótese alguma" coloca seu nome à disposição "neste momento", isso porque o ex-governador era um dos cotados para assumir a candidatura do PT no caso da Justiça Eleitoral realmente barrar o nome do ex-presidente Lula. Ele, porém, perdeu força depois que foi alvo da Operação Cartão Vermelho, da Polícia Federal, que  apura irregularidades nas obras dos estádios da Copa do Mundo de 2014.

Com isso, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, se tornou o favorito a representar o PT nas eleições, mas a postura dele também é de quem não assumirá a cabeça de chapa. Haddad , inclusive, se encontrou com Ciro Gomes em São Paulo na semana passada numa reunião no qual os dois teriam conversado sobre a possibilidade de uma chapa unificada.

Ambos negaram que esse tenha sido o tópico da conversa, mas Ciro já declarou que ter Haddad como vice e o PT como apoiador de sua candidatura seria como montar um "dream team".

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Ato em apoio à Lula

A declaração de Jaques Wagner foi dada durante ato organizado pela centrais sindicais e por outros movimentos sociais em alusão ao Dia do Trabalhador comemorado em 1º de maio. As maiores manifestações geralmente são realizadas em São Paulo, mas nesse ano a concentração de deslocou para Curitiba onde o ex-presidente Lula cumpre pena em cela na sede da Polícia Federal.

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