Tamanho do texto

Ex-secretário de Obras do Rio de Janeiro relata repasse de propina ao governador Pezão (MDB) e ao ex-governador Sergio Cabral (MDB), bem como aos pré-candidatos ao governo do estado, o senador Romário (Podemos) e o deputado federal Índio da Costa (PSD)

Governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, cobrou recursos do presidente Michel Temer
Beto Barata/PR - 20.2.18
Governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, cobrou recursos do presidente Michel Temer

A proposta de delação de Hudson Braga, ex-secretário de Obras do Rio de Janeiro e homem forte nas administrações emedebistas, com cargos de destaque nos governos de Sergio Cabral e Luiz Fernando Pezão , tem potencial para atingir políticos graúdos do estado. A informação é da revista Veja .

Leia também: Procuradoria pede o envio de inquérito contra Alckmin à primeira instância

Ao Ministério Público, Braga afirma ter pagado propinas a lideranças partidárias em troca de apoio à Sergio Cabral e Pezão em eleições. O senador Romário (Podemos), disse, teria recebido R$ 3 milhões para apoiar Pezão em 2014 – e o próprio Braga teria feito a entrega dos valores.

Já o deputado federal Índio da Costa (PSD) teria cobrado R$ 30 milhões para apoiar a reeleição de Pezão . Tanto Índio quanto Romário já anunciaram suas pré-candidaturas para o governo do Rio.

Estes valores seriam oriundos, entre outras fontes, da JRO Engenharia, empresa que mantêm contratos públicos com a Secretaria de Obras do Estado. Braga afirma, ainda, que a empresa pagava uma ´mesada´ de R$ 100 mil mensais a Pezão. A empreiteira, inclusive, guardaria R$ 5 milhões em propinas destinadas ao governador.

Alguns deputados estaduais da base governista na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro também levavam seu quinhão das propinas. De acordo com o ex-secretário, R$ 3 milhões por mês eram destinados ao grupo. O divisão ficava a cargo do ex-presidente da Alerj, Paulo Melo (MDB), que foi preso pela Lava Jato.

Leia também: TSE manda PSDB devolver R$ 5,4 milhões e barra repasses do fundo partidário

Braga também confirmou que recebia uma ‘mesada’ de R$ 1 milhão de empresas de ônibus no Estado. O ex-governador Sergio Cabral já havia acusado o ex-secretário de receber estes pagamentos.

Procurada, os advogados de Pezão disseram que ele “nunca recebeu recursos ilícitos e jamais participou de atos ilegais”. Eles também afirmaram que o governador se disponibiliza à justiça para prestar esclarecimentos.

Índio da Costa, por sua vez, defendeu-se dizendo que “definitivamente, não fiz parte nem compactuo com os métodos desse MDB que destruiu o estado”.

Romário afirmou que as informações de Braga tratam-se de “boatos que só interessam à política nefasta deste país”. Para ele, “o grupo que governou o Rio de Janeiro nos últimos 16 anos está desesperado com medo de perder o poder".

Leia também: Temer lavou propina em imóveis da família, indica da PF; presidente nega