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Presidente evitou falar de possível acordo com PSDB quer aprovar projeto que libera R$ 1,3 bilhão para cobrir calote da Venezuela e Moçambique

Presidente Michel Temer durante cerimônia realizada no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (26)
Alan Santos/PR - 26.4.18
Presidente Michel Temer durante cerimônia realizada no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (26)

O presidente Michel Temer despistou ao ser questionado nesta quinta-feira (26) sobre o cenário eleitoral e sobre eventuais alianças com o PSDB de Geraldo Alckmin e João Doria em São Paulo. Ao longo da última semana, foram veiculadas notícias sobre uma eventual parceria do presidente com Doria para que o ex-prefeito de São Paulo não se lance candidato ao governo do estado, abrindo caminho para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que é o pré-candidato do MDB ao posto. Em troca, o tucano herdaria uma vaga na equipe ministerial de Temer.

"Ele é um candidato forte. Ele está com bons dados na pesquisa", limitou-se a dizer o presidente Michel Temer a respeito de Skaf, que divide a preferência dos eleitores paulistas, conforme a última pesquisa Datafolha .

A breve declaração do presidente se deu durante evento no Palácio do Planalto no qual Temer fez um apelo aos parlamentares para que compareçam à sessão do Congresso Nacional, na próxima quarta-feira (2), e votem o projeto de lei que o governo vai enviar para reforçar o orçamento em cerca de R$ 1,3 bilhão para o Fundo de Garantia à Exportação e assim pagar as dívidas da Venezuela e de Moçambique com bancos credores.

A sessão do Congresso foi convocada para o dia seguinte ao feriado do Dia do Trabalho (1°). Pela manhã, Temer se reuniu com líderes da base aliada e pediu a eles empenho na mobilização dos parlamentares para a votação.

“Quero aproveitar essa oportunidade para solicitar mais uma vez o apoio do Congresso Nacional para que no dia 2, que é uma quarta-feira, possamos ter presença para votar um projeto de lei que trata de recursos financeiros para a União a fim da União cumprir compromissos financeiros que são indispensáveis que sejam cumpridos nesse período. São compromissos assumidos no passado, portanto não no nosso governo. Mas que esse governo tem que cumprir”, disse Temer.

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, informou nesta quinta-feira que o projeto de lei está em fase de elaboração. Como a Venezuela e Moçambique estão inadimplentes com empréstimos que financiaram serviços e obras de empreiteiras brasileiras no exterior, quem arca com o pagamento é o Brasil. Isso porque, as operações têm seguro coberto pelo Fundo de Garantia à Exportação, vinculado ao Ministério da Fazenda. O pagamento deve ser feito até o dia 8 de maio.

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Recursos para a segurança pública

No início da tarde, o presidente Michel Temer e o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, entregaram a 112 instituições o Selo Resgata que reconhece as empresas, entidades e órgãos públicos que contratam pessoas privadas de liberdade, cumpridores de penas alternativas e egressos do sistema prisional.

No evento, o presidente Temer falou sobre a importância do Brasil avançar no sentido de conseguir cumprir preceitos como o de separar presos por grau de periculosidade e de acordo com a natureza do crime. “Por isso que as penitenciárias, como disse o Raul [Jungmann, ministro da Segurança Pública] acabam sendo verdadeiras escolas do crime”, disse.

Michel Temer também destacou a importância de medidas para reinserir os ex-presidiários na sociedade, como o Selo Restaga. “Se de um lado, você tem a tese da segurança pública como algo para dar tranquilidade à população, de outro, o Estado tem o dever de reinserir o ex-presidiário na sociedade”, disse.

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*Com reportagem da Agência Brasil