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Empresário afirmou que o presidente nacional do PP era um dos seus maiores interlocutores e que entrega da propina se deu em sua casa em SP; ex-assessor de Ciro disse que já transportou várias malas com dinheiro

Senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF no Congresso
Moreira Mariz/Agência Senado - 9.9.14
Senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF no Congresso

empresário Joesley Batista relatou em depoimento à Polícia Federal que negociou o pagamento de R$ 500 mil em propina ao presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Segundo o delator e sócio do grupo J&F, o dinheiro efetivamente chegou às mãos doparlamentar em uma mala entregue pelo executivo Ricardo Saud, em março do ano passado. As informações são da TV Globo .

Joesley disse ao delegado Cleyber Malta Lopes que gravou a conversa em que ele combina o pagamento da propina a Ciro Nogueira , numa reunião que contou também com a presença de Saud. A entrega da mala com os R$ 500 mil ao parlamentar ocorreu na garagem da casa de Joesley em São Paulo, segundo o repoimento do empresário.

As revelações do sócio do grupo J&F foram feitas em depoimento prestado no dia 6 deste mês no âmbito da investigação sobre a validade das informações prestadas pelos executivos da JBS nos acordos de delação premiada que foram suspensos junto à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Joesley disse que aceitou pagar propina a Ciro pois o presidente nacional do PP era um de seus "maiores interlocutores políticos para tratar de interesses da J&F".

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Compra do silêncio de ex-assessor

O parlamentar é suspeito de ter planejado empregar o dinheiro da propina na compra do silêncio de seu ex-assessor José Expedito Rodrigues – o que configuraria crimes de obstrução à Justiça. Rodrigues disse à PF, em depoimento prestado ainda em 2016, que fez várias entregas de bolsas e malas com dinheiro ao senador e também ao deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), conhecido como Dudu da Fonte. A informação é do jornal O Estado de São Paulo .

O ex-assessor acrescentou aos delegados que seu pagamento pelo serviço de transporte de valores para os dois parlamentares era retirado de seu próprio salário como assessor na Câmara dos Deputados.

Ciro e Dudu da Fonte foram alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos nessa terça-feira (24) em operação da Polícia Federal no Congresso Nacional. Os dois tiveram os gabinetes vasculhados com a autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin.

A defesa de Ciro Nogueira disse que o senador nunca recebeu dinheiro de Joesley Batista e que a gravação que o empresário disse ter feito de reunião entre os dois vai comprovar isso. O presidente nacional do PP disse ainda que manteve apenas uma "relação republicana" com o empresário da JBS.