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Dal Poz já trabalhou como chefe de gabinete do atual secretário de Justiça, Márcio Rosa; promotor diz não ver impedimento na situação

João Doria está atrás do governador Geraldo Alckmin quando o assunto é a preferência dos paulistanos para 2018
Reprodução/Facebook
João Doria está atrás do governador Geraldo Alckmin quando o assunto é a preferência dos paulistanos para 2018

Com a renúncia ao governo de São Paulo para se dedicar à eleição presidencial, o tucano Geraldo Alckmin perdeu o direito ao foro privilegiado e viu seu processo por suposto recebimento ilegal de dinheiro da empreiteira Odebrecht ser remetido à primeira instância da Justiça Eleitoral.

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Curiosamente, contudo, o promotor que foi designado para o caso, Luiz Henrique Dal Poz , e que tem a incumbência de acusar o ex-governador no processo, já trabalhou como chefe de gabinete do atual secretário de Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa , quando ele era chefe do Ministério Público do Estado, de 2012 a 2016. Rosa foi nomeado por Alckmin para ocupar a pasta da Justiça.

A decisão de remeter o processo contra o ex-governador para a Justiça Eleitoral, contrariando a vontade dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo que queriam investigar as acusações contra o tucano, foi da ministra do Superior Tribunal de Justiça Nancy Andghi.

Dal Poz disse não ver problema em estar encarregado de acusar aquele que, anos atrás, foi seu chefe. “Não vejo nenhuma relação que poderia me colocar numa condição de impedimento ou suspeição”, disse o promotor ao jornal O Estado de São Paulo.

“Difícil de engolir”

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot criticou a decisão do Superior Tribunal de Justiça, que, acolhendo a um pedido do atual vice-procurador-geral, Luciano Mariz Maia, remeteu o processo contra Alckmin para a Justiça Eleitoral, e não para os procuradores que trabalham na força-tarefa da Lava Jato em São Paulo.

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Em sua página nas redes sociais, Janot escreveu que é “tecnicamente difícil de engolir” a decisão do STJ .

Alckmin é investigado por ter supostamente recebido R$10 milhões da construtora Odebrecht . De acordo com executivos da empresa que falaram em acordo de delação premiada, o dinheiro viria do “setor de propinas” da construtora e, virtualmente, é oriundo de obras superfaturadas no estado de São Paulo.

O montante teria sido entregue ao cunhado de ex-governador, Adhemar Cesar Ribeiro, que também é investigado no caso. Ele teria repassado o valor ao então governador, que usou o dinheiro para custear parte de sua campanha eleitoral em 2010 e 2014. Os R$10 milhões não foram declarados pelo tucano na prestação de contas à Justiça Eleitoral.

Geraldo Alckmin , que foi atendido em seu pedido de que o processo fosse para a Justiça Eleitoral , afirmou que ficará “rapidamente” provada sua inocência no caso.

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