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Considerado como operador financeiro do MDB, Funaro relatou à Polícia Federal o percurso das supostas propinas combinadas com a Odebrecht no famoso “jantar no Jaburu”, em que Temer esteve presente

Preso desde julho do ano passado, doleiro Lúcio Funaro ganhou o direito à prisão domiciliar
Reprodução/JFDF
Preso desde julho do ano passado, doleiro Lúcio Funaro ganhou o direito à prisão domiciliar

Em prisão domiciliar em sua suntuosa fazenda no interior de São Paulo, o operador financeiro Lúcio Funaro apresentou à Polícia Federal um conjunto de documentos que, se tiverem sua legitimidade comprovada, podem comprometer Michel Temer e seu entorno mais próximo. A informação é do jornal O Globo .

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De acordo com Funaro, os papéis atestam o recebimento de propina paga ao MDB pela construtora Odebrecht. O valor – R$10 milhões -, teria sido destinado à campanha eleitoral de 2014, quando Temer era candidato à vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff.

De acordo com delações de empresários, incluindo o ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht, o pagamento foi combinado no famoso “jantar no Jaburu”, a residência oficial de Temer à época. Estavam presentes, além do então vice-presidente, executivos da Odebrecht e os hoje ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Os documentos apresentados por Funaro contam com uma planilha que mostra o caminho percorrido por parte desse dinheiro. Em julho de 2014, pagamentos separados, que somam R$1 milhão, teriam sido entregues por advogados da Odebrecht no escritório de José Yunes, assessor e amigo pessoal de Temer.

O próprio Funaro foi ao escritório buscar a quantia. Outra parte do montante teria sido entregue à Geddel Vieira Lima, que atualmente está preso. Tudo teria se dado no mês seguinte ao jantar no Jaburu.

Funaro afirma que Temer estava ciente de toda a movimentação e que tudo aconteceu com seu aval. Em troca, o entorno do emedebista atuava para favorecer a empreiteira em seus pedidos junto ao governo.

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Yunes nega as acusações, embora reconheça que a quantia de R$1 milhão passou por seu escritório. Em sua defesa, ele acusa o ministro Eliseu Padilha de tê-lo usado como “mula” na entrega do dinheiro. Os ministros de Temer e o próprio presidente também negam envolvimento no caso.

Amigos e réus

A Justiça Federal de Brasília aceitou uma denúncia do Ministério Público que acusa um grupo de nove pessoas pelo crime de organização criminosa. Entre elas, estão José Yunes , advogado, assessor pessoal e amigo próximo ao presidente Michel Temer (MDB) , e o coronel Lima , também amigo e sócio do emedebista em uma série de negócios.

As acusações se inserem na investigação sobre o “ quadrilhão do MDB ”, que busca apurar supostos desvios de verbas públicas para alimentar os cofres do partido.

Outros nomes estão no rol da investigação, mas, por contarem com foro privilegiado, não cabe à Justiça comum analisar as acusações. Entre os acusados com prerrogativa de foro, está o próprio Michel Temer .

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