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Ex-governador do RJ e Adriana Ancelmo foram denunciados à Justiça Estadual do por desvio de verbas públicas na manutenção de helicópteros

Sérgio Cabral e a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo são suspeitos de usar helicópteros do estado irregularmente
Reprodução
Sérgio Cabral e a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo são suspeitos de usar helicópteros do estado irregularmente

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) e a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo se tornaram réus em ação penal sobre desvio de verbas públicas na manutenção de helicópteros. Este é o  segundo processo aberto contra o emedebista na Justiça estadual do RJ.

denúncia oferecida pelo Ministério Público do estado (MP-RJ) foi recebida nesta sexta-feira (6) pelo juiz Guilherme Schilling Collo Duarte, que determinou ainda a indisponibilidade dos bens de Sérgio Cabral e Adriana, incluindo o bloqueio de contas bancárias até o valor de R$ 19,9 milhões a fim de assegurar a reparação dos danos públicos, em caso de eventual condenação.

“Observo que o órgão ministerial expôs com clareza os fatos criminosos e suas circunstâncias, fazendo constar a qualificação dos denunciados e a exposição dos fatos criminosos em tese perpetrados”, considerou o juiz da 32ª Vara Criminal da Capital.

De acordo com o MP-RJ, Cabral comprou duas aeronaves mais modernas e confortáveis, "por meio de licitações suspeitas", no valor total de R$ 32 milhões durante seu governo. Para os promotores, os dois helicópteros comprados são mais luxuosos que os outros pertencentes ao Estado, portanto, aumentaram os custos de manutenção e combustível.

"Revoada" para Mangaratiba

Segundo depoimentos de testemunhas, um dos helicópteros servia de transporte "quase com exclusividade" do ex-governador, sua mulher, seus filhos e babás. Porém, por inúmeras vezes, no trajeto entre o Rio de Janeiro e a casa de veraneio de Cabral no condomínio Portobello, em Mangaratiba , outros dois helicópteros eram usados simultaneamente para transportar amigos do casal, amigos e namoradas dos filhos, parentes e empregados domésticos.

As testemunhas afirmaram que Adriana Ancelmo tinha autonomia para solicitar viagens nas aeronaves do estado e voar, mesmo sem a presença do governador, o que foi comprovado também por meio dos diários de bordo. Os relatos e os documentos revelam pelo menos 220 viagens solo da ex-primeira-dama, que custaram mais de US$ 187 mil dólares aos cofres públicos. 

Ainda de acordo com a denúncia, em pelo menos 109 ocasiões, três helicópteros do Estado do Rio de Janeiro deslocaram-se, ao mesmo tempo, até o condomínio de Mangaratiba para buscar a família de Sérgio Cabral , empregados domésticos e convidados hospedados na casa de veraneio do ex-governador no local. Em depoimento, os pilotos afirmaram que esta situação era denominada por eles de "revoada".

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