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Um dia antes do julgamento do pedido de liberdade de Lula, o ministro do STF Gilmar Mendes afirmou que decisão do tribunal irá pacificar o Brasil

Gilmar Mendes mandou recado para quem quer prisão:
Nelson Jr./TSE - 5.12.17
Gilmar Mendes mandou recado para quem quer prisão: "se torce para prisão de A, precisa lembrar que depois vêm B e C"

Um dia antes do julgamento do pedido de liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes , um dos onze juízes a decidir sobre o tema, afirmou que uma eventual prisão do líder petista “mancha a imagem do Brasil”. As informações são do jornal O Estado de São Paulo .

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Mendes está em Portugal, participando de um evento jurídico organizado por uma universidade da qual é sócio. Ele afirmou que retornará à Brasília em tempo para o julgamento.

O STF vem sofrendo pressão por todos os lados para decidir-se tanto a favor quanto em prejuízo ao ex-presidente. Um grupo de 12 senadores, por exemplo, enviou uma carta ao tribunal defendendo a aplicação da pena. Milhares de promotores e juízes também protestaram pela prisão do petista.

Em recado velado aos que desejam a prisão de Lula, Mendes afirmou: “se alguém torce para prisão de A, precisa lembrar que depois vêm B e C”.

O ministro também destacou o impacto negativo que a confirmação da sentença de Lula geraria no exterior, levando em conta o grande prestígio do ex-presidente alcança junto a líderes internacionais.

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“Ter um ex-presidente da república como Lula condenado é muito negativo para o Brasil”, disse. Mendes também lembrou que a posição ocupada pelo petista nas pesquisas eleitorais acrescenta tensão ao julgamento do dia 4.

Os votos dos ministros

O julgamento do dia 4, a princípio, não tratará especificamente das prisões após condenação em 2ª instância, mas analistas do Supremo já apostam que os ministros acabaram abordando o tema em seus votos.

Gilmar figura entre aqueles que defendem a revisão da autorização para as prisões antecipadas – o que interessa a Lula . O ministro votou a favor desse entendimento no julgamento realizado em outubro de 2016, mas mudou de ideia de lá para cá.

Além dele, também se manifestam contra as prisões antecipadas os ministros Marco Aurélio, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Rosa Weber. São a favor os ministros Cármen Lúcia, Luís Roberto Barroso, Celso de Mello, Edson Fachin, Luiz Fux e Alexandre de Moraes.

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