Antes do impeachment de  Dilma Rousseff (PT), Brasil ocupava 115o lugar no ranking
Reprodução/Partido dos Trabalhadores
Antes do impeachment de Dilma Rousseff (PT), Brasil ocupava 115o lugar no ranking

Quando o assunto é representação feminina no poder Executivo, o Brasil , que até 2016 foi presidido por uma mulher, não tem muito do que se orgulhar: de acordo com o ranking criado pelo Projeto Mulheres Inspiradoras, que levou em consideração 186 países, o Brasil ocupa a distante 161ª posição em número de mulheres em cargos de liderança política.

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A lista se baseia em um índice que congrega dados sobre a representatividade feminina nas chefias de governo, nas chefias de estados e o número e a proporção de cidadãos governados por mulheres, bem como a proporção de cargos em ministérios ocupados por mulheres.

As informações foram coletadas junto às Nações Unidas, o Banco Mundial e o instituto de pesquisas The Heritage Foundation. No caso brasileiro, dados do Tribunal Superior Eleitoral, do IBGE e da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Sead) também foram considerados.

Os dez primeiros países com maior presença política de mulheres no Executivo são: Nova Zelândia, Chile, Reino Unido, Suíça, Ilhas Marshall, Myanmar, Islândia, Noruega, Peru e Alemanha.

Todos possuíam mulheres como chefes de governo, sendo que cinco desses países também contam com mulheres presidindo o país.

Mesmo nesses países, contudo, a média de mulheres em ministérios é de 28,5%, bem longe do percentual de mulheres na população mundial, que é de pouco menos da metade do total. De acordo com a ONU, existem no mundo 101,8 homens para cada 100 mulheres.

Na comparação entre os continentes, o que está melhor posicionado é a Europa, onde as mulheres ocupam 20,4% das cadeiras de chefias de governo. Juntas, as Américas estão em segundo lugar, seguidas pela Ásia e pela África subsaariana. Em último lugar está o norte da África, onde não há mulheres em cargos de chefia.

A média mundial de representatividade feminina em chefias de governo é de 7,53%. Já a proporção de mulheres que ocupam cargos em ministérios é de 18,4%.

“Estamos mostrando que 92% dos chefes de governo no mundo são do sexo masculino. A representatividade das mulheres é muito baixa”, enfatiza Marlene Machado, diretora do projeto.

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Brasil distante do ideal

No ano passado, o Brasil ocupava o 115° lugar no ranking mundial. Agora, o desempenho brasileiro piorou, e o país se tornou um das piores no mundo e a pior da América Latina em termos de representatividade feminina.

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As mulheres eram três dos 11 postulantes à Presidência da República nas últimas eleições no Brasil. A vencedora, Dilma Rousseff (PT), foi a única a ocupar o cargo, até se deposta pelo Congresso em 2016.

Já nos governos de estados, nas últimas eleições, em 2014, apenas uma mulher foi eleita: Suely Campos (PP), atual governadora de Roraima.

Quanto às prefeituras, foram analisados 5.477 dos 5.570 municípios brasileiros. São 4.838 prefeitos do sexo masculino e somente 639 prefeitas mulheres.

“Isso mostra que, além de serem poucas candidatas, são poucas as candidatas que têm um desempenho suficiente para se eleger. 70% das candidatas a prefeita não se elegem”, destaca Marlene Machado.

Para contornar a situação, Marlene defende uma mudança estrutural dos partidos políticos, assim como abertura do debate com a sociedade sobre a participação das mulheres na política.

“Creio que seria importante que as mulheres fizessem parte das direções dos partidos, para que elas pudessem ter poder de decisões, mais acesso ao fundo partidário para que elas possam ter uma campanha melhor”, defendeu.

* Com informações da Agência Brasil

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