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Deputado estadual afirmou que ministro teria se aproveitado da morte de Marielle para justificar a intervenção militar no Rio de Janeiro; entenda

Ministro da Defesa, Raul Jungmann considerou operação das Forças Armadas na Rocinha satisfatória
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 22.9.17
Ministro da Defesa, Raul Jungmann considerou operação das Forças Armadas na Rocinha satisfatória

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann voltou a rebater as críticas feitas pelo deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) que o acusou de ter se aproveitado do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) para justificar a intervenção militar na segurança do Rio de Janeiro.

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Em sua conta no Twitter, Jungmann mandou um recado para o deputado e ainda o chama de mentiroso. “Marcelo Freixo, o senhor tem me acusado de dizer que a morte de Marielle justificaria a intervenção no Rio e de estar fazendo política com o seu cadáver. Como a quem acusa cabe o ônus da prova, diga onde e quando afirmei tal absurdo. Desde já, afirmo que isso é uma mentira. Boa noite”.

A resposta teria sido motivada por uma entrevista para o UOL , em que Freixo o acusou de fazer política sob o corpo de Marielle. “Não dá para um ministro da Segurança Pública vir nos jornais do final de semana, no Rio de Janeiro, e afirmar que a morte da Marielle representa a necessidade da intervenção militar aqui. Isso é inaceitável. Isso é desrespeitoso. Isso é vergonhoso. Isso é criminoso”, afirmou o deputado.

As críticas ao ministro por parte de Freixo tomaram como base uma fala de Jungmann decorrente a entrevista publicada pelo jornal O Globo no domingo (18). O ministro levantou a hipótese de o assassinato de Marielle ter ocorrido para abalar a intervenção federal na segurança do estado.

“Se, por hipótese, esse crime foi cometido para confrontar ou abalar a intervenção, isso vai mostrar que ela está no caminho certo, que está levando o crime a reagir”, disse ele.

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Vereadora assassinada

Marielle deixava o evento “Jovens negras movendo as estruturas”, na noite de quarta-feira (14), na Lapa, e se dirigia para sua casa na Tijuca quando dois homens em um carro emparelharam o veículo onde ela estava junto ao seu motorista. Os bandidos dispararam mais de dez tiros.

A vereadora e Anderson Gomes morreram na hora. O crime aconteceu na Rua Joaquim Palhares, no bairro do Estácio, próximo à estação de metrô. Todos os indícios apontam para a possibilidade de um homicídio premeditado, uma execução.

A vereadora fazia parte da Comissão da Câmara que fiscalizava a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Dias antes de ser assassinada, ela denunciou assassinatos que teriam sido praticados por policiais do 41º Batalhão da PM do Rio.

Referência para o movimento negro e feminista, ela deixou uma filha de 19 anos. O corpo da vereadora foi velado na quinta-feira (15), na Câmara dos Vereadores, tendo sido acompanhado por uma multidão de milhares de pessoas.

Sua morte eclodiu em diversos protestos e manifestações não só no Brasil, mas em todo o mundo. A discussão a respeito do crime ficou ainda mais acalorada depois que as investigações apontaram que as balas que mataram Marielle Franco vieram de um lote vendido à Polícia Federal de Brasília .

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