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Ao todo, estão sendo cumpridos pela Polícia Federal um mandado de prisão preventiva, três de prisão temporária e 10 mandados de busca e apreensão

Orlando Diniz, presidente da Fecomércio-RJ, foi preso na manhã desta sexta-feira, em um desdobramento da Lava Jato
Alerj/ divulgação
Orlando Diniz, presidente da Fecomércio-RJ, foi preso na manhã desta sexta-feira, em um desdobramento da Lava Jato

Agentes da Polícia Federal (PF) prenderam, na manhã desta sexta-feira (23), o presidente da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), Orlando Diniz. A ação é um desdobramento da Operação Calicute, braço da Lava Jato no Estado.

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Diniz também é presidente afastado do Sesc/Senac do Rio. O presidente da Fecomércio-RJ foi afastado do comando do Sesc em dezembro pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por suspeita de irregularidades no comando dessa entidade.

A Operação desta sexta-feira, batizada de Jabuti, tem o objetivo de investigar o desvio de recursos da Federação do Comércio, além de lavagem de dinheiro e pagamento de cerca de R$ 180 milhões em honorários advocatícios com recursos da própria entidade.

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A operação é realizada em conjunto com o Ministério Público Federal, com apoio da Receita Federal do Brasil, e conta com o trabalho de aproximadamente sessenta policiais federais. Ao todo, são cumpridos um mandado de prisão preventiva, três mandados de prisão temporária e 10 mandados de busca e apreensão.

Investigações

De acordo com a PF, as investigações apontaram que pessoas ligadas à gestão de Diniz estariam envolvidas em operações irregulares incluindo o desvio de recursos, lavagem de dinheiro e pagamento, com recursos da entidade, de vultosos honorários a escritórios de advocacia, somando mais de R$ 180 milhões.

Nesse valor, estão incluídos cerca de R$ 20 milhões que teriam sido pagos ao escritório pertencente a Adriana Ancelmo, a esposa do ex-governador Sérgio Cabral.

Apurou-se ainda que diversas pessoas receberam, por anos, salários da federação sem terem trabalhado nunca no órgão. Algumas dessas pessoas, na verdade, trabalhavam para Cabral, e outras são familiares próximos de outros membros da organização criminosa liderada por ele.

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Em nota, a PF afirma que o nome da operação faz uma alusão ao termo funcionários-fantasmas, que entre os funcionários da Fecomércio-RJ eram conhecidos como 'jabutis'. Os envolvidos estão sendo acusados formalmente pelos crimes de lavagem de dinheiro, de corrupção e pertencimento a uma organização criminosa.