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Entre as requisições de Eduardo Cunha (MDB) estava a quebra de sigilo telefônico de empresário que poderia comprometer Michel Temer

Condenado por crimes acerca da compra de poço de petróleo pela Petrobras na África, Eduardo Cunha está preso desde outubro de 2016
Lula Marques/Agência PT - 3.3.16
Condenado por crimes acerca da compra de poço de petróleo pela Petrobras na África, Eduardo Cunha está preso desde outubro de 2016

A defesa do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) bem que tentou, mas viu frustrados os muitos pedidos que apresentou à 10ª Vara Federal de Brasília: dos 49 pedidos encaminhados pelos advogados ao juiz Vallisney de Souza Oliveira, apenas dois, referentes à anexação de documentos nos autos do processo, foram aceitos. Os 47 restantes foram negados de uma só vez pelo magistrado.

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De acordo com o jornal O Globo , entre os pedidos recusados por Vallisney de Souza estava a requisição de quebra do sigilo telefônico do empresário Henrique Constantino. De acordo com Eduardo Cunha, uma análise das ligações de celular comprovariam que Michel Temer pediu ao empresário dinheiro adiantado para a campanha de Gabriel Chalita, candidato a prefeito de São Paulo em 2012.

Antigo aliado de Michel Temer, o ex-deputado emedebista foi o responsável pela abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff (PT) que conduziu o então vice-presidente ao cargo máximo da nação. Em diversas oportunidades, Cunha tentou negociar um acordo de delação premiada em que revelaria detalhes de suposta participação de Temer em esquemas criminosos.

O juiz Vallisney de Souza, contudo, responsável pelos casos envolvendo o ex-deputado e desvios na Caixa, negou o pedido por considerar que ele não está relacionado à corrupção na estatal em questão.

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Além desse pedido, a defesa queria a quebra do sigilo bancário de delatores, lobistas, empresários e ex-executivos da Caixa; requeria, também, perícias nas planilhas que apontam sua participação em ilícitos, estas apresentadas pelo doleiro Lúcio Funaro, também acusado de corrupção na Caixa. Por fim, pedia a liberação de documentos de ministérios e estatais. Todos os pedidos foram indeferidos pelo juiz.

Preso em Curitiba desde outubro de 2016, o ex-deputado já teve uma série de pedidos de liberdade negados por tribunais.

Somente no caso envolvendo a corrupção Caixa Econômica Federal, o Ministério Público pediu que Eduardo Cunha seja condenado a 386 anos de prisão. Além desse inquérito, o ex-deputado responde a diversos outros processos, tanto no Supremo Tribunal Federal quanto nas demais instâncias da Justiça.

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