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Milhares de pessoas estão na Praça da República, no centro da capital paulista, em ato de apoio ao ex-presidente petista, condenado em segunda instância nesta quarta-feira (24), em caso tríplex da Operação Lava Jato

Milhares de manifestantes se reúnem na Praça da República em São Paulo
Larissa Pereira/iG São Paulo - 24.01.2018
Milhares de manifestantes se reúnem na Praça da República em São Paulo

Milhares de pessoas estão reunidas na Praça da República, em São Paulo, para prestar apoio ao ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,  condenado pela segunda instância do Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF-4), em Porto Alegre, nesta quarta-feira (24). A pena do petista foi aumentada pelos três desembargadores para 12 anos e um mês de prisão.

Lula  chegou ao ato no centro de São Paulo por volta das 19h. Ele havia confirmado sua presença em sua conta do Twitter, minutos após a condenação unânime ser confirmada pelo TRF-4. O ex-presidente afirmou à multidão que o ato de hoje "é muito maior do que o ato de eleição, pois é um ato de soberania nacional. Nunca me iludi sobre a decisão do TRF-4, porque o que eles têm é um pacto".  

O petista ainda disse que "agora quer ser presidente da República", reafirmando que sua condenação "é política, por todas as políticas públicas que realizou no País". 

Larissa Pereira/iG São Paulo - 24.01.2018
"Eu nunca tive nenhuma ilusão sobre a decisão do TRF-4", afirma Lula em ato de São Paulo

Na manifestação favorável ao ex-presidente, apoiadores reclamam sobre decisão de hoje e gritam palavras de ordem. Estão presentes na manifestação diversas autoridades e líderes políticos, como o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), o presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto, além do vereador petista Eduardo Suplicy (SP), e a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann. 

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O líder do PT no Senado, Lindberg Farias, também está presente no ato em São Paulo depois de voltar de Porto Alegre. O senador petista afirma que a decisão do TRF-4 sinaliza "o fim da democracia brasileira".  "Rasgaram a Constituição. Com o impeachment, com as reformas. Vamos parar de ilusões, vocês acham que vamos ganhar nas instituições? Alguém acha que vamos derrotar o golpe com uma liminar no STF?", profere Lindberg. 

"Para prender Lula, terão de prender a todos nós. Amanhã vamos registrar o Lula e ele vai ser candidato. O PT está renascendo, está renascendo a esquerda. Agora é hora de luta", completou. 

Já para o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores, Vagner Freitas, a resistência "popular manterá a democracia" e, assim, ele convocou a população brasileira a realizar atos de resistência contra a reforma da Previdência. "Golpistas não vão venham nos desafiar". Sobre o julgamento de hoje, Freitas questionou: "Se isso aconteceu com o ex-presidente, imagina o que não fazem contra pobres?". 

O ex-prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), afirmou que "tem muita gente triste, [há] um sentimento de 'buraco' no coração, mas vamos transformar esse sentimento em muita luta pelo País". 

MTST quer ir para Paulista

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, defende que a multidão se dirija à Avenida Paulista, local onde se encontra o ato contrário ao petista. Para o ativista, "não há espaço para recuo, ficaremos na rua e daremos a resposta do povo brasileiro". Ele atacou os desembargadores do TRF-4, chamando-os de "anões que devem ir para a lata do lixo". 

Protesto contrário a Lula

Também em São Paulo, manifestantes contrários se reúnem na Avenida Paulista, celebrando a condenação do petista nesta quarta-feira. No vão livre do Masp, as pessoas estedem bandeira em protesto, pedindo a prisão do ex-presidente da República. 

A condenação unânime

Por unanimidade, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF-4) decidiu manter a condenação do ex-presidente no caso tríplex da Operação Lava Jato . O relator do recurso do petista, desembargador João Pedro Gebran Neto, votou pela manutenção da sentença do juiz Sérgio Moro e sugeriu o aumento da pena para 12 anos e 1 mês de prisão. O voto foi integralmente acompanhado pelo revisor do processo, desembargador Leandro Paulsen e também pelo desembargador Victor Laus.

Lula havia sido condenado na primeira instância a cumprir 9 anos e 6 meses de prisão por crimes de corrupção e lavagem configurados na alegada reserva para si do tríplex 164-A do Condomínio Solaris, no Guarujá (SP). O entendimento de Moro, agora ratificado pelo TRF-4, foi o de que a compra e reforma do imóvel foram oferecidas pela construtora OAS ao ex-presidente e representaram vantagem indevida no valor de R$ 2,4 milhões.

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