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Chefe do MPF tirou ex-aliada de Janot de trabalhos junto ao STF e puxou procurador do Paraná para investigar políticos com foro privilegiado

Raquel Dodge promoveu uma série de trocas nas equipes da PGR após assumir o posto de Rodrigo Janot
Wilson Dias/Agência Brasil - 26.9.17
Raquel Dodge promoveu uma série de trocas nas equipes da PGR após assumir o posto de Rodrigo Janot

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, promoveu novas mudanças nos grupos de trabalho que atuam em investigações da Operação Lava Jato . A chefe do Ministério Público Federal publicou na edição desta sexta-feira (12) do Diário Oficial da União a convocação do procurador Alessandro José Fernandes, que até então atuava no Paraná, para se juntar à força-tarefa da Procuradoria-Geral da República (PGR) em Brasília.

Em nota, Raquel Dodge destacou que o objetivo da manobra é "garantir a celeridade e o devido aprofundamento das investigações criminais" contra pessoas com prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda segundo a PGR, o procurador se junta a outros dez integrantes do grupo que atua na condução de investigações judiciais e extrajudiciais contra autoridades como deputados federais, senadores e ministros. 

Também nesta sexta-feira, a chefe do MPF designou o promotor de Justiça João Paulo Santos Schoucair, que trabalhava na Procuradoria na Bahia, para atuar como auxiliar do vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia. Ele deve auxiliar nas investigações criminais relacionadas a pessoas com prerrogativa de foro no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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Aliada de Janot é 'rebaixada'

Além dessas mexidas, Dodge já havia determinado, no fim do ano, que a subprocuradora-Geral Ela Wiecko deixasse de atuar em casos no STF para exercer atividades junto ao STJ. A medida, conforme destacado em portaria publicada no Diário Oficial da União no dia 27 de dezembro, tem caráter provisório.

Ela Wiecko chegou a ser a número-dois da PGR, abaixo apenas do ex-procurador-geral Rodrigo Janot. Ela acabou sendo exonerada do cargo no fim de 2016 após vir à tona o fato de ela ter participado de protestos contra o presidente Michel Temer. 

A dança das cadeiras promovida por Dodge nos últimos dias representa um novo episódio na troca de nomes na PGR após a saída de Janot , em setembro passado. Apenas dois servidores do grupo de seu antecessor foram mantidos por Raquel Dodge em sua equipe, que tem como uma de suas atribuições negociar acordos de delação premiada com investigados.

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