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A cada três dias em sala de aula, um dia é abatido da pena; Cabral afirmou que quer estudar história e sua esposa, também detida, Ciências Sociais

Além do Enem, ex-governador realizou uma prova de vestibular particular e foi aprovado em teologia
Agência Brasil
Além do Enem, ex-governador realizou uma prova de vestibular particular e foi aprovado em teologia

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) irá prestar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) na semana que vem. A autorização para realizar o exame veio do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal, que permitiu que as audiências previstas para os próximos dias 12 e 13 – mesma data da prova - sejam adiadas.

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“Adoro história, sempre gostei. Sou formado em jornalismo.... Quero me aprofundar nessa área”, afirmou Cabral. Para isso, o ex-governador decidiu fazer o Enem , que dá a possibilidade de cursar em uma universidade pública.

A ideia de entrar em uma universidade tem um estímulo que pode ajudar Cabral a sair mais cedo da cadeia. Isso porque a cada três dias em sala de aula, um é abatido da sentença.

A mulher do ex-governador, Adriana Ancelmo , que também está na cadeia, decidiu seguir os passos do marido e afirmou que quer tentar cursar Ciências Sociais.

Junto de Cabral e Adriana, outros 31.765 presos também farão o exame na próxima semana , quando será aplicado o Enem para Pessoas Privadas de Liberdade e Jovens sob Medida Socieducativa (PPL). A prova será feita em 577 municípios, aplicada em 1.078 unidades prisionais.

Aprovação

Para garantir o curso superior no ano que vem, o casal prestou vestibular para o curso de teologia oferecido pelas Faculdades Batista do Paraná (Fabapar). O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (8).

O ex-secretário estadual Wilson Carlos Cordeiro Carvalho também faz parte da lista de aprovados no mesmo curso.

Sentença

Cabral é apontado como chefe de uma organização criminosa que desviou milhões dos cofres públicos do Rio mediante a acordos com empresas – em sua maioria, construtoras – e fraudes em contratações para obras no estado. Ele responde a um total de 14 ações penais na Justiça e já foi condenado três vezes desde sua prisão: uma pelo juiz Sérgio Moro, de Curitiba, e duas pelo juiz Bretas. As penas, somadas, já ultrapassam o período de 72 anos de prisão.

Adriana Ancelmo chegou a cumprir prisão domiciliar no imóvel após conseguir reverter sua prisão preventiva em março deste ano alegando que seus filhos com Cabral (um com 11 e outro com 14 anos de idade) não deveriam ficar privados da convivência com os pais. Porém, ela foi obrigada a voltar para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, no Rio de Janeiro.

Adriana é ré ao lado do marido em ao menos setes processos ligados à Lava Jato. Em um deles, ela foi absolvida pelo juiz Sérgio Moro por considerar que não havia provas suficientes. Já em outro, o juiz Marcelo Bretas impôs condenação por crimes de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. A pena foi de 18 anos e 3 meses de cadeia.

Além das condenações na Justiça, Cabral e Adriana sofreram duras perdas patrimoniais desde a deflagração da Operação Calicute. Uma única decisão judicial, proferida em junho, determinou o bloqueio de R$ 3,1 bilhões do ex-governador.

O casal também já teve imóveis, carros, joias, relógios , e até mesmo uma lancha e um jet boat apreendidos. Entre as poucas boas notícias que Sérgio Cabral e sua esposa receberam desde o último dia 17 de novembro, aliás, uma delas diz respeito justamente aos bens apreendidos na Lava Jato: a Justiça suspendeu o leilão antecipado dos bens do casal , incluindo aí uma mansão de veraneio avaliada em R$ 8 milhões em Mangaratiba. Mas, ainda assim, o caráter consolativo dessa pequena vitória do ex-governador é bem limitado uma vez que a decisão que suspendeu o leilão é provisória.

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