Tamanho do texto

Ministros Edson Fachin e Celso de Mello votaram pela abertura do inquérito, mas os colegas Gilmar Mendes e Dias Toffoli foram contra; Ricardo Lewandowski, que está de licença, deve desempatar o placar na Corte

STF suspendeu julgamento sobre recebimento de denúncia apresentada pela PGR contra o senador Fernando Bezerra
Pedro França/Agência Senado
STF suspendeu julgamento sobre recebimento de denúncia apresentada pela PGR contra o senador Fernando Bezerra

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu nesta terça-feira (5) o julgamento sobre o recebimento de denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB-PE), pelo crime de corrupção passiva.

Leia também: Pedido de liberdade de Wesley Batista é suspenso no Supremo

A suspensão ocorreu após um empate na votação, devido à ausência do ministro Ricardo Lewandowski, que está em licença médica. Dessa forma, o relator da denúncia, Edson Fachin e Celso de Mello votaram pelo recebimento da denúncia, e Gilmar Mendes e Dias Toffoli pela rejeição. O desempate ocorrerá após o retorno de Lewandowski ao STF .

No julgamento, Fachin e Mello votaram pelo recebimento da denúncia apresentada pela PGR, no ano passado. Para os ministros, há indícios de que o senador recebeu vantagens indevidas em 2010, por meio de doações eleitorais oficiais, período em que o parlamentar exercia os cargos de secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco e presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, ambos por indicação do então governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em 2014.

“As doações eleitorais oficiais podem ser estratégias utilizadas para mascarar o recebimento de repasses indevidos, além de contratos fictícios com pessoas interpostas. Os indícios da prática de lavagem ou branqueamento de capitais reside em inúmeras transferências bancárias”, afirmou Fachin.

Leia também: Justiça mantém bloqueio dos bens de ex-presidente da Petróbras, Ademir Bendine

Em seguida, Toffoli e Mendes divergiram do relator e entenderam que não há indícios mínimos para abertura da ação penal contra o senador. Segundo Mendes, não há prova de envolvimento pessoal de Bezerra nos recursos da campanha de Campos. “As construtoras tinham interesse no estado de Pernambuco. Em tese, é possível que estivessem satisfeitas com os rumos da gestão e dispostas a contribuir com a reeleição”, argumentou.

Durante o julgamento, a defesa do Fernando Bezerra Coelho afirmou que o parlamentar não participou da campanha de Eduardo Campos e que a denúncia está amparada somente em depoimentos de delatores.

Denúncia

A denúncia presentada pelo então procurador-geral da República Rodrigo Janot acusa Fernando Bezerra pelo suposto recebimento de propina de pelo menos R$ R$ 41,5 milhões das empreiteiras Queiroz Galvão, OAS e Camargo Corrêa, contratadas pela Petrobras para a execução de obras da Refinaria Abreu e Lima.

Na denúncia, Janot afirma que o ex-governador de Pernambuco e então candidato à Presidência da República pelo PSB Eduardo Campos era o beneficiário do esquema de corrupção. “Fernando Bezerra e Eduardo Henrique Accioly Campos solicitaram e aceitaram promessa, com vontade livre e consciente e unidade de desígnios de vantagens indevidas no total de cerca de R$ 20 milhões cada das empreiteiras”, diz trecho da denúncia.

Leia também: PGR pede ao Supremo restrição de liberdade ao irmão e à mãe de Geddel Vieira Lima

Além de Fernando Bezerra, foram denunciados aos STF nesta ação os empresários Aldo Guedes Álvaro, então presidente da Companhia Pernambucana de Gás, e João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho. Eles são acusados de operar e viabilizar o esquema criminoso de repasse da propina.

* Com informações da Agência Brasil

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.