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PT responde a ataques do ex-ministro em nota assinada por Gleisi Hoffmann: "Desrespeito e calúnias contra o ex-presidente Lula demonstram desespero"

Antonio Cruz/Agência Brasil - 16.11.2010
"Palocci decidiu romper com sua própria história e renegar as causas que defendeu no passado", diz Gleisi em nota

O Partido dos Trabalhadores (PT) respondeu por meio de nota a carta entregue nessa terça-feira (26) por Antonio Palocci , na qual o ex-ministro dos governos Lula e Dilma pede sua desfiliação e desfere uma série críticas contra lideranças do partido – especialmente o ex-presidente.

No texto, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), afirma que a carta de Palocci "não se destina verdadeiramente ao partido, mas sim aos procuradores da Lava Jato" e condena a postura adotada pelo ex-ministro. "A forma desrespeitosa e caluniosa como se refere ao ex-presidente Lula demonstra sua fraqueza de caráter e o desespero de agradar seus inquisidores", diz a nota oficial do partido.

Gleisi também minimiza as críticas contidas na carta de desfiliação do ex-ministro e tenta depreciar o peso das afirmações de Palocci. "A carta repete as falsas acusações que ele [Palocci] fez diante do juiz Sérgio Moro e que contrariam seus depoimentos anteriores. Em qual Palocci se deve acreditar: no que diz ter mentido antes ou no que mudou de versão agora para se salvar?", questiona a nota do PT.

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"Qual o critério do partido?"

A direção do partido também rechaça questionamentos levantados pelo ex-ministro acerca dos critérios adotados pelo PT para dar início a processos internos contra seus afiliados.

Palocci diz em sua carta que não compreende o processo aberto contra ele , uma vez que "não se cogitava sua explusão enquanto ele se manteve calado", mas agora ele "se vê diante de um tribunal inquisitorial dentro do próprio PT" por ter mudado sua linha de defesa "e falar a verdade". "Qual o critério do partido? Processos em andamento? Condenações proferidas? Se é este o critério, o processo de expulsão não deveria recair apenas contra mim", indagou o ex-ministro em sua carta.

"O PT trata de forma igual todos os filiados que enfrentam investigações e ações judiciais. Respeitamos o princípio da presunção da inocência. Ninguém será julgado por comissão de ética partidária antes do trânsito final dos processos na Justiça", respondeu o partido.

Gleisi também cita trecho da própria carta do ex-ministro, na qual o ex-chefe da Fazenda afirma: "Ao chegar ao porto onde decidi chegar, queimei meus navios. Não há volta". A frase é inscrita logo após trecho em que Palocci diz que "chegou a hora da verdade" para o PT e compara o partido com uma "seita guiada por uma pretensa divindade", em alusão ao ex-presidente Lula.

"Palocci decidiu 'queimar seus navios', romper com sua própria história e renegar as causas que defendeu no passado", escreveu Gleisi. "Politica e moralmente, Palocci já está fora do PT", concluiu.

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