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Mais cedo, procurador-geral decidiu revogar a imunidade dos delatores da JBS; se o pedido for aceito, dupla ficará preso por tempo indeterminado

Sócio do grupo JBS, empresário Joesley Batista teve o pedido de prisão preventiva feito por Rodrigo Janot
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Sócio do grupo JBS, empresário Joesley Batista teve o pedido de prisão preventiva feito por Rodrigo Janot

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitou ao STF (Supremo Tribunal Federal) a prisão por tempo indeterminado do empresário Joesley Batista, dono da JBS, e do ex-executivo da empresa Ricardo Saud. Ambos cumprem prisão temporária desde o domingo passado (10), e o prazo de cinco dias da detenção vence nesta quinta-feira (14).

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Para embasar o novo pedido de prisão dos executivos da JBS, Rodrigo Janot informou ao ministro Edson Fachin, relator do caso no STF, que decretou a perda da imunidade penal concedida a Batista e Saud por ter concluído que os acusados omitiram informações da PGR durante o processo de assinatura do acordo de delação premiada.

Ontem (13), a defesa dos acusados pediu ao Supremo concessão de liberdade aos acusados. Na petição, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, refirmou que os acusados jamais cooptaram o ex-procurador da República Marcello Miller para atuar a favor da JBS e que não omitiram informações da PGR.

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“Demonstrada, enfim, a absoluta ausência de indícios de ocultação de provas, cuja plausibilidade é presunção meramente hipotética, aguarda a defesa que os requerentes sejam colocados em liberdade, quando findo o prazo de cinco dias, permanecendo até lá e sempre à plena disposição desta Colenda [digna de respeito] Corte, bem como das autoridades investigativas, no fiel cumprimento dos termos do acordo de colaboração”, argumentou o advogado.

Silêncio

Durante interrogatório nesta quinta-feira, Joesley e Saud ficaram calados. Os dois foram ouvidos na Superintendência da Polícia Federal em investigação instaurada por determinação da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, para apurar o episódio envolvendo o conteúdo de conversa gravada entre os dois em que mencionam ministros da Corte.

A estratégia do advogado dos delatores era que os dois ficassem calados na tentativa de evitar que Janot, rescindisse o acordo de delação premiada, o que acabou se confirmando depois.

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Também nesta quinta-feira, Rodrigo Janot apresentou nova denúncia ao STF contra o presidente Michel Temer (PMDB) pelos crimes de organização criminosa e obstrução à Justiça. No caso da obstrução, o peemedebista é acusado ao lado de Joesley e Saud. Caberá ao ministro Edson Fachin decidir se irá enviar ou não a denúncia para a Câmara.


* Com informações da Agência Brasil